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ESPORTES

Efeito Mbappé em uma temporada frustrante no Bernabéu

20/05/2025 às 18:18
3 min de leitura

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O Real Madrid vive sua temporada de mais gols desde a saída de Cristiano Ronaldo. 135 tentos foram marcados até aqui, 41 de Kylian Mbappé. É possível dizer que o francês teve uma influência negativa na equipe?

Para começar a entrar nesse vespeiro, temos de contextualizar a contratação de Mbappé: foi uma oportunidade de mercado. O craque, dos melhores jogadores do mundo na atualidade, tinha o desejo de jogar no clube mais vencedor do futebol. Sem contrato, acabou assinando sem a necessidade de se pagar qualquer multa ao Paris Saint-Germain, apesar das milionárias luvas ao atacante e seus representantes. 

Se você, por outro lado, fosse analisar friamente a contratação, com base nas necessidades do time, provavelmente chegaria a conclusão de que não seria uma prioridade no mercado. O Real já tinha dois jogadores que têm como a posição preferencial a ponta esquerda: Vinícius Júnior e Rodrygo. Acabou trazendo um terceiro… 

Jogar fora o que funcionou

Com a contratação de Mbappé, o Real Madrid simplesmente jogou fora o que melhor funcionou no plano tático de Carlo Ancelotti temporada passada. O 4-4-2 losango, com Bellingham como uma espécie de camisa 10 que virava falso 9, e Rodrygo e Vinícius como dupla de ataque dinâmica, deixou de ser opção com Mbappé. 

Carlo Ancelotti alternou entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, com 4-4-2 na transição defensiva. Bellingham e Rodrygo foram ceifados de qualquer protagonismo. Não só por conta do plano tático: a temporada de ambos é abaixo tecnicamente. Mas ambos perderam, acima de tudo, confiança em funções menos favoráveis. 

Rodrygo teve menos liberdade posicional atuando aberto na ponta direita. Em algumas partidas, respondeu melhor sem Vinícius, atuando no lado que gosta. Mas no geral, se sacrificou pelo time do outro lado. E com Mbappé, na fase defensiva em 4-4-2, teve de ocupar o lado direito na segunda linha de marcação na transição. 

Bellingham, por sua vez, tinha total liberdade para fazer movimentos de infiltração pelo meio, ocupando os espaços deixados pelos brasileiros. Nessa temporada, nunca deixou de fazê-lo: muitas vezes apareceu na área enquanto Mbappé recuava. Mas teve menos espaço, chances, e marcou nove gols a menos. 

Um movimento que Kane usou durante muito tempo no Tottenham, por exemplo, recuando para receber a bola para deixar espaço para as infiltrações de Son, não funcionou justamente pelas características dos jogadores citados.Mbappé como um atacante de mobilidade, recuado para receber a bola por dentro, não funciona bem. O francês não tem como característica receber de costas, fazer a parede e girar rápido para criar as jogadas. Seu melhor fundamento é a finalização, não o passe. O lance não flui da mesma forma para chegar em zonas de finalização para Bellingham.

Aqui leia-se o básico: não é culpa de Mbappé. Simplesmente não é característica dele. Por outro lado, o francês funcionou bem sempre de frente para o gol, de preferência em velocidade, da canhota para o meio, no espaço que Vinícius ocupa…

Mbappé não é um jogador que pensa muito para fazer as jogadas. Não é de pensar muito com a bola nos pés. É uma força da natureza, por outro lado. É Ronaldo, e não Rivaldo, Romário, e não Bebeto, Cristiano Ronaldo, nem tanto Benzema. Superou os 40 gols na primeira temporada no Bernabéu, em desempenho individual incontestável. Já os companheiros de ataque…

Os melhores momentos do time na temporada foi quando repetiu o WM tendência na Europa, o 3-2-2-3 na fase ofensiva, com Vinícius e Rodrygo atrás de Mbappé. Mas Bellingham, neste caso, perde protagonismo…

A falta da verticalidade

O Real das remontadas nas noites de Champions era aquele time que sofria, que parecia nas cordas, mas conseguia renascer das cinzas. Quase sempre com um jogo vertical que pegava os adversários de surpresa. 

O jogo funcional de Carlo Ancelotti andava (ou melhor, corria) através de um controle no meio-campo. Durante muitos anos, Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos formaram o “Triângulo das Bermudas”. Segundo o próprio comandante, a bola sumia quando estava com eles. E, de fato, parecia invisível para os adversários. 

Sem Casemiro, com Modric em reta final de carreira, Kroos ainda fez a diferença temporada passada sempre dando velocidade ao jogo quando necessário. Naquele passe que quebra linhas. Que coloca Vini em situação de 1 contra 1, Rodrygo nas costas do marcador… 

Kroos fez falta na atual temporada. Ninguém chegou perto de substituí-lo. Camavinga e Tchouameni tiveram de exercer outras funções no time, Valverde é melhor em progressões com bolas do que em passes que quebram linhas, principalmente quando tem pouco espaço para pensar a jogada. Sem velocidade no meio, o Real se tornou um time previsível na frente. Que viveu de individualidades. E quando nem elas apareceram… 

Sistema defensivo descompacto 

Defensivamente, o Real Madrid viveu sua pior temporada no século. Sofreu 76 gols e, se levar mais um no que resta da temporada, supera os números de 2002/03 e 2003/04. Só havia levado mais gols em 1999/00… 

Os desfalques na linha defensiva não ajudaram: problemas físicos de Alaba, Éder Militão e Rüdiger, que exigiram uma maturidade maior de Asencio e improvisações no setor com Tchouameni. Sem contar a ausência de substituto para Dani Carvajal, que deixou Lucas Vázquez como única opção para o setor, com Valverde sendo deslocado para a direita quando necessário. 

Em campo, para além das peças, o principal problema do Real foi a falta de coordenação quando tentou pressionar os adversários. Linhas descompactas, sem cobertura quando um meia resolvia subir a marcação. Falta de agressividade dos atacantes quando os blocos eram altos… A liberdade que Marc Casadó teve para jogar no clássico do primeiro turno (e na final da Supercopa) traduz bem isso. O Rea foi atropelado pelo maior rival…

Taticamente, o Real deu um passo atrás nessa temporada, foi um time previsível e vulnerável. A temporada com maior número de derrotas (14) desde 2019 termina com sabor amargo no Santiago Bernabéu. Sem títulos, a não ser o da Supercopa da Europa, e com o pedido para uma revolução tática para 2025/26. Com Xabi Alonso, muita coisa deve mudar… 

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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