Miss e Mister Indígena entra para o Calendário Oficial de Eventos de MS
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Miss e Mister Indígena entra para o Calendário Oficial de Eventos de MS
Foi publicada na edição desta segunda-feira (2) do Diário Oficial do Estado a Lei nº 6.414, de 30 de maio de 2025, que inclui o concurso Miss e Mister Indígena no Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.
De acordo com o texto da lei, o evento será comemorado anualmente no mês de abril, em consonância com o mês dos povos indígenas. A proposta valoriza a representatividade, os costumes e a cultura tradicional dos povos originários do estado.
História do evento
O concurso Miss e Mister Indígena de Dourados teve início em 2011, como parte do Seminário Indígena promovido pela Unigran. A primeira vencedora foi Suzete Freitas, acadêmica de Agronomia da etnia Terena. A partir de 2012, a disputa também passou a incluir os candidatos masculinos, e desde então o evento é realizado anualmente — com exceção dos anos de pandemia (2020 e 2021).
O evento é organizado por um coletivo formado por lideranças indígenas da Reserva Indígena de Dourados. Entre os nomes da equipe estão Micheli Alves Machado (Kaiowá), Indianara Ramires Machado (Kaiowá), Elias Moreira (Terena) e Diana Dávila (Terena).
Cultura e resistência
Além de celebrar a beleza dos povos indígenas, o concurso é também uma plataforma de luta e conscientização sobre questões como os direitos territoriais, a preservação ambiental, saúde e educação. “É mais do que uma competição de beleza. É um espaço de afirmação das identidades e das histórias dos nossos povos”, afirma Micheli Machado, uma das fundadoras do evento.
Desde 2017, o concurso tem sido mantido por meio de parcerias locais, doações e trabalho voluntário. Mesmo diante das dificuldades financeiras, o evento vem crescendo e ganhando reconhecimento nacional. Em 2024, por exemplo, o projeto “Produzindo Cultura e Tecendo Beleza – Ñañemonde Porã!” promoveu oficinas de produção de roupas típicas, com apoio direto de anciãos indígenas e recursos da Lei Paulo Gustavo.
Representatividade e conquistas
Ao longo dos anos, o concurso revelou talentos que conquistaram títulos regionais, como o de Miss Pantanal (2017 e 2022) e 2º lugar no Mister Pantanal (2023). No ano passado, o Mister eleito, Rassis Machado, da etnia Kaiowá, foi contemplado com uma bolsa integral para cursar Odontologia em São Paulo, graças à visibilidade proporcionada pelo evento.
A edição de 2024, foi a 12ª e reuniu grande público na Escola Indígena Tengatui Marangatu, com participação de jurados indígenas e não indígenas, que avaliaram os candidatos com base em critérios como traços étnicos, simpatia e desenvoltura. Os participantes devem pertencer a uma das etnias Guarani, Kaiowá ou Terena. Neste ano de 2025 o evento celebrou a 13ª edição. Veja aqui.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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