O que o Mundial significa para o Chelsea de Maresca?
O Chelsea venceu o melhor time do mundo na atualidade para conquistar a Copa do Mundo de Clubes. Se não dá para dizer que os Blues já estão acima de todos os grandes rivais da Europa, por outro lado é possível vislumbrar uma temporada promissora para os londrinos. Pelo trabalho de Enzo Maresca, pelo poder de decisão de alguns jogadores e também pelo mercado de transferências.
Maresca teve, ao longo do Mundial, algumas novidades que vão não apenas dar profundidade ao elenco, como também um novo repertório tático ao time. Falamos principalmente de João Pedro e Delap.
Se sofreu para enfrentar rivais recuados na última temporada por não ter um atacante mais físico, bom no jogo pelo alto e com capacidade de reter a bola no campo de ataque, o Chelsea achou isso em Liam Delap. O jovem atacante dá um repertório tático que o time não teve na última temporada, conseguindo povoar melhor a área inimiga e fazendo a parede para criar linhas de passe perto da área.
João Pedro, por outro lado, foi a melhor novidade dos Blues ao longo do torneio. É um atacante de mobilidade como Nicolas Jackson, mas com um apuro técnico muito maior, qualidade no 1 contra 1 e uma finalização muito mais clínica. Terminou o Mundial como vice-artilheiro, com gols decisivos contra Fluminense e PSG.
Jamie Bynoe-Gittens, que ainda jogou o Mundial no Borussia Dortmund, também ajudará a equipe a criar desequilíbrio na frente, mas pelos lados, principalmente no 1 contra 1, algo importante para Maresca. Assim como Estêvão, enquanto seu compatriota, Andrey Santos, pode ser opção no meio junto com Lavia e Essugo. Sem contar Kendry Páez, esse mais ofensivo…
Taticamente, muito mais interessante
Com as novas peças, e usando a boa base da última temporada, Enzo Maresca apresentou um repertório tático interessantíssimo ao longo do Mundial. Fora o duelo contra o Flamengo e boa parte do jogo com o Benfica, os Blues conseguiram atuações seguras, entre elas a melhor do clube em anos na final, diante do Paris Saint-Germain.
Adepto do ataque posicional, Maresca adotou rotações posicionais na fase defensiva para anular o atual campeão da Europa. Com a bola nos pés, o time londrino foi irresistível. Como já havia sido na semifinal, contra o Fluminense, por exemplo.
Na decisão de Nova Jérsei, o Chelsea marcou em 4-4-2, que poderia virar um 5-3-2 quando o rival avançava em campo. No início da transição defensiva, Enzo Fernández subia a pressão com João Pedro na frente, deixando Caicedo e Reece James encaixando a marcação no duplo-pivô parisiense (Ruiz e João Neves).
Os encaixes de marcação funcionaram bem, com Reece James ou Caicedo subindo pressão caso Vitinha recebesse a bola mais recuado. Um zagueiro, então, adiantava para marcar um dos volantes. O Chelsea usou muitas rotações posicionais na fase defensiva, exatamente pela marcação por encaixes que, a depender da zona do campo, foi individual, com perseguições constantes.
Se Cucurella, por exemplo, adiantava para fazer uma perseguição no meio, além de Pedro Neto fechar o corredor lateral esquerdo, Caicedo ficava na linha dos zagueiros pelo meio. Maresca usou o feitiço de Luis Enrique contra o feiticeiro.
Quando o PSG avançava em campo, Maresca respondia com uma linha de 5 na defesa para acabar com um dos grandes pontos fortes dos parisienses: os laterais ofensivos. Pedro Neto teve um papel muito importante nisso, recuando quase que como um ala pela esquerda e montando essa linha de cinco.
Na fase ofensiva, Maresca fez sua releitura do WM com uma saída 3+2, com Cucurella entre os zagueiros e o duplo-pivô formado por Reece James e Caicedo. Enzo Fernández se adiantava com Palmer, nas costas de João Pedro. No 3-2-2-3, que poderia virar 2-3-5 a depender do momento, Malo Gusto e Pedro Neto davam amplitude nos corredores laterais.
O goleiro Robert Sánchez, muito criticado (e com razão), acaba sendo protagonista nessa equipe pela qualidade na saída com os pés. E foi decisivo na final, já que o Chelsea buscou muito o jogo nas costas de Nuno Mendes, que não fez boa final. Malo Gusto, Palmer e mesmo João Pedro apareciam por ali para aproveitar o espaço, já que Kvara teve dificuldade para dobrar a marcação. Muitas das jogadas de perigo por ali começaram com lançamentos de Sánchez…
O que esperar da temporada?
Com um técnico que parece ter o grupo na mão, já com boa leitura de seu modelo de jogo, e um elenco homogêneo, o Chelsea, ofuscado nas últimas temporadas, promete voltar a sonhar alto não só no futebol inglês, como na Europa.
O título do Mundial de Clubes mostra algumas credenciais interessantes para a nova temporada. Pelas caras novas, algumas ainda chegando, pela consolidação do trabalho de Maresca e, também, por Cole Palmer.
Achou que não destacaríamos o inglês? Palmer é o craque desse time e, ao longo do Mundial de Clubes, Maresca foi recuperando a confiança do meia em nova posição. Se Palmer brilhou em Londres aberto na direita, e teve temporada menos decisiva jogando mais por dentro, Maresca abriu mão um pouco do jogo posicional para deixar o meia mais livre para trocar de posições no ataque, podendo tanto abrir na direita, ou aparecer por dentro para resolver.
A mobilidade de João Pedro e a versatilidade de Malo Gusto podem deixar Palmer ainda mais à vontade nesse time. Um time que parece taticamente ajustado, que tem jogadores com grande poder de decisão e um elenco forte. Azul pode voltar a ser a cor na Europa…
Fonte: Ogol
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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