Volta do Brasileirão expõe incoerência das gestões
A bola voltou a rolar no Brasileirão neste final de semana e as mudanças no comando técnico já acontecem, com as demissões de Thiago Carpini, do Vitória, e Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza. Os trabalhos já iam mal há algum tempo, mas a surpresa fica pelo timing, pela falta de planejamento e coerência das gestões dos dois clubes, que poderiam fazer a troca há um mês, mas demonstraram confiança nos trabalhos para colocar ponto final pouco depois.
É aquela velha máxima do futebol brasileiro: se o dirigente disse que o treinador está prestigiado, é que vai demiti-lo logo no jogo seguinte.
Juan Pablo Vojvoda é inegavelmente o maior treinador da história do Fortaleza, com 310 jogos, 145 vitórias, 77 empates e 88 derrotas. Ele conquistou 5 títulos e fez campanhas históricas em Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana. Isso faz dele treinador imune a demissão? Absolutamente não. O problema é a coerência.
O ano de 2025 do Fortaleza como um todo é terrível, com apenas 11 vitórias em 37 jogos e na luta contra o rebaixamento no Brasileirão. A saída de Vojvoda tem um forte componente de desempenho. Acontece que há pouco mais de um mês, a diretoria do Fortaleza bancou a permanência do treinador por meio de nota oficial – o que sequer faz algum sentido, afinal, se não anunciou demissão, o trabalho segue normalmente.
A decisão de manutenção foi do CEO do clube, Marcelo Paz, mas na SAF mais associativa possível, a pressão política foi grande e o treinador não durou mais dois jogos. Após a volta do Brasileirão foi eliminado da Copa do Nordeste para o Bahia e perdeu clássico para o Ceará. Fim da Era Vojvoda.
Uma semana antes, o Vitória que deu ponto final ao trabalho de Thiago Carpini depois do treinador ter sido bancado semanas antes. A demissão também parece justa para um treinador que não fez sua equipe ser competitiva em momento algum da temporada, mas o timing é intrigante.
O Vitória perdeu o Estadual para o Bahia (o que convenhamos é do jogo), mas teve seus baques em eliminações vergonhosas contra o Náutico na Copa do Brasil, e na fase de grupos da Sul-Americana (por todo o contexto que envolvia). No Brasileirão, a luta contra o rebaixamento que parece fazer sentido pela qualidade do elenco.
O fim do trabalho de Carpini parecia óbvio, mas a gestão liderada por Fábio Mota decidiu dar chances ao treinador na intertemporada que os clubes brasileiros tiveram em junho. Tudo isso para, horas depois do primeiro jogo no retorno, o Leão ser eliminado pelo Confiança na Copa do Nordeste.
Agora, Fortaleza e Vitória vão contar com novos treinadores – o Rubro-Negro já estreou Fábio Carille – que não terão muito tempo para treinar as equipes em meio ao insano calendário do futebol brasileiro. A duras penas, o objetivo é se salvar e esquecer 2025.
Juan Pablo Vojvoda, há quase 5 anos no Fortaleza, e Thiago Carpini, no Vitória desde maio de 2024, estavam entre os cinco treinadores com trabalhos mais longevos na primeira divisão do futebol brasileiro.
Agora, o Top 5 da Série A liderado por Abel Ferreira na liderança (desde novembro de 2020 no Palmeiras) segue com: Rogério Ceni (setembro de 2023 no Bahia), Léo Condé (julho de 2024 no Ceará), Roger Machado (julho de 2024 no Inter) e Filipe Luís (setembro de 2024 no Flamengo).
Fonte: Ogol
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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