Como o Inter Miami driblou as regras para assinar De Paul
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O Inter Miami trouxe Rodrigo de Paul como uma das maiores contratações da história da Major League Soccer. Isso sem incluir o argentino como Designated Player, ou seja, aquele jogador que ganha acima do teto salarial. Como isso é possível? Através de um drible nas regras que é difícil até de entender.
Primeiro, vamos tentar entender algumas especificidades da MLS, que tem regras específicas bem particulares. Cada clube que disputa o campeonato tem um teto salarial, que em 2025 foi de US$ 5,47 milhões para o elenco. Só que cada clube pode ter três jogadores fora desse teto salarial, os chamados Designated Players.
Outro mecanismo interessante nessa conversa é o General Allocation Money, que permite como um mecanismo que permite que os clubes reduzam o impacto dos salários no orçamento. O GAM funciona como uma espécie de “dinheiro virtual”: cada clube recebe uma quantia por temporada, que pode ser acumulada caso não utilize tudo. O próprio Inter Miami, por exemplo, vendeu para o Portland Timbers uma vaga de estrangeiro em troca de US$ 135 mil em GAM nesta semana. Justamente quando precisava assinar com De Paul…
Entendido isso, ou não (sei que pode parecer confuso ou fictício), dentro do elenco do Inter Miami existem três DP’s (Designated Players): Lionel Messi, Jordi Alba e Sergio Busquets. Sim, Luisito Suárez não é um DP. Como?
O salário de Suárez é, sim, acima do teto, mas o clube usou o que tinha de GAM para amortizar o valor e encaixar o uruguaio em uma vaga normal, sem precisar um espaço DP.
A estratégia com De Paul vai ser basicamente a mesma: o clube vai usar parte do GAM que tem para amortizar o salário de De Paul e encaixá-lo no elenco sem precisar de uma vaga de DP. O Inter Miami tem pouco mais de dois milhões de dólares em GAM e, para além da amortização do salário do argentino, irá usar também o valor no acordo com o Atlético de Madrid.
Só que o valor total da transferência de De Paul, que gira em torno de 15 milhões de euros, junto com o salário do argentino, que deve ficar em US$ 12 milhões anuais, inviabilizariam o negócio. O Inter Miami, então, “dobrou” as regras e contratou De Paul por empréstimo, sem precisar reportar o valor total da transferência e do contrato do atleta.
A MLS ainda impediria um negócio do tipo se houvesse “promessa formal” de um acordo permanente. Mas claro que nenhuma das partes vai confirmar a existência desse acordo. De Paul, então, chega por “empréstimo”, sem a promessa de um futuro em Miami, apesar de todos já saberem do acordo de US$ 12 milhões anuais para um contrato de três anos.
Quando assinar o acordo permanente oficial, na virada do ano, De Paul deve ocupar o lugar de DP de Sergio Busquets. O espanhol tem contrato até dezembro e futuro incerto no clube. Caso renove, dificilmente será como DP.
Vale lembrar que em 2021, o Inter Miami foi condenado pela MLS pela errada categorização de Blaise Matuidi e Andres Reyes no fairplay financeiro da liga, além da falta de clareza nos salários de três jogadores não presentes em relatórios financeiros (Leandro Gonzalez, Nicolas Figal e Julian Carranza).
Na época, o clube recebeu uma multa recorde na liga de US$ 2 milhões, multou em US$ 250 mil Jorge Mas, um dos donos, e suspendeu o diretor esportivo Paul McDonough. O clube ainda recebeu uma redução no GAM em US$ 2,271,250.
Se dessa vez David Beckham e companhia conseguiram, com sucesso, driblar ou não o fairplay financeiro da liga, só saberemos mais para frente.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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