Após seminário, municípios de MS relatam impacto positivo das ovitrampas no controle das arboviroses
Tecnologia de baixo custo permite mapear áreas críticas e já evitou eclosão de milhões de ovos do mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya
Com foco no fortalecimento das ações de combate ao Aedes aegypti e Aedes albopictus, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) promoveu, entre os dias 28 e 30 de julho, em Ponta Porã, o 1º Encontro Estadual “Soluções Entomológicas: Uso de Ovitrampas”. O evento reuniu técnicos de municípios de todas as regiões do Estado, que compartilharam experiências e resultados do uso das armadilhas de oviposição.
A tecnologia das ovitrampas, adotada por 32 municípios sul-mato-grossenses, se destaca por ser de baixo custo, alta sensibilidade e eficiência no monitoramento dos vetores. A partir dos dados coletados, é possível gerar mapas de calor que indicam as áreas com maior densidade de ovos, permitindo ações rápidas e direcionadas de combate ao mosquito.
Para Paulo Silva de Almeida, gerente do Laboratório de Entomologia da SES e responsável pela implantação da tecnologia no Estado, os resultados são expressivos. “Conseguimos retirar da natureza centenas de milhares de ovos que não viraram mosquitos. Isso só é possível porque a vigilância com base em evidências nos dá dados reais e rápidos para agir”, explicou.
Resultados em destaque
O município de Amambai, por exemplo, usa ovitrampas desde 2011 e coletou mais de 311 mil ovos somente em 2024. Já Caarapó, que iniciou o uso em 2023, ultrapassou 136 mil ovos retirados até o primeiro semestre deste ano. A estratégia também ajudou a identificar que a comunidade indígena Tey’ikuê, no mesmo município, é foco local de transmissão de dengue — antes, os casos eram atribuídos a outras áreas.
Ivo Benites, coordenador de endemias de Caarapó, destacou o impacto da metodologia. “As armadilhas confirmaram que o mosquito está presente na própria aldeia. Com isso, iniciamos ações específicas em parceria com a Sesai e SES”, afirmou. Ele informou que o índice de positividade das armadilhas na cidade está em 66,56%, com uma média de 60 ovos por armadilha positiva.
Já em Deodápolis, onde o uso começou em 2022, a tecnologia também se tornou peça-chave. A coordenadora de controle de vetores, Juliane Santana Lopes, relatou que o mapa de calor gerado pelas ovitrampas é mais preciso que o tradicional LIRAa. “A ferramenta nos mostra exatamente onde agir. Assim conseguimos fazer ações mais pontuais, como retirada de criadouros e campanhas educativas”, disse.
Expansão e articulação
Além da troca de experiências entre os municípios, o encontro permitiu o alinhamento das estratégias entre os níveis estadual, federal e instituições parceiras como a Fiocruz e o Ministério da Saúde. Durante o evento, a SES reforçou o compromisso em ampliar a instalação das armadilhas, principalmente em regiões com maior vulnerabilidade para dengue, zika e chikungunya.
“A ovitrampa é um termômetro da realidade. Enquanto outros métodos dão uma visão atrasada, ela mostra a infestação atual. Isso muda tudo no controle do mosquito”, reforçou Paulo Silva. A SES também tem doado veículos para as equipes municipais como forma de apoio às ações em campo.
Com base nos dados e no impacto positivo apresentado, o uso de ovitrampas deve se expandir ainda mais no Estado, como parte de uma estratégia inteligente e baseada em evidências para proteger a população contra as arboviroses.
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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