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Antítese de Diniz: Como Jardim transformou o Cruzeiro

05/08/2025 às 16:59
3 min de leitura

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O Cruzeiro de Leonardo Jardim é a antítese do time que neste ano mesmo era treinado por Fernando Diniz. Após o naufrágio de seu antecessor, o técnico português deu uma nova cara para a equipe, que briga forte pelo título brasileiro e vem conseguindo afastar as pedras que se colocam no caminho. 

O Cruzeiro de Leonardo Jardim é o time das transições. Vamos primeiro com um pouco de análise quantitativa para sustentar nossos argumentos. Vamos olhar para alguns dados curiosos do Brasileirão que vão alimentar nossas premissas. 

Só Ceará, Vitória, Juventude e Grêmio tem uma média menor de posse de bola que o Cruzeiro no campeonato. Só que o time de Jardim é o segundo que mais chuta e que mais acerta o alvo no campeonato, sendo ainda o terceiro em gols esperados (xG).

Em 18 rodadas, o Cruzeiro ficou menos com a bola que o rival em 12. Chegou a ter 36% e 31% de posse. O resultado desses jogos? Vitórias contra Palmeiras e Fluminense, respectivamente.

Para pegar um paralelo de Diniz, o Vasco, desde que o treinador assumiu, teve acima de 60% de posse de bola em metade dos jogos. O Cruzeiro só terminou 1 jogo acima dos 60% de posse de bola, e terminou em derrota para o Ceará em casa.

Jardim e Diniz tem modelos de jogo diferentes. Não quer dizer que um é melhor e o outro, pior. A questão aqui é que o elenco do Cruzeiro mostrou muito mais facilidade para assimilar o modelo de jogo do técnico português, até pelas características do elenco (algo que a maior parte dos dirigentes não leva em consideração na escolha por um técnico). 

Vamos para uma análise mais qualitativa e tática do trabalho de Jardim. Os números mostram que o forte do trabalho do luso é o jogo de transições. Diferente do Diniz, Jardim não busca ter muito a bola e nem procura aglutinar muitos jogadores no mesmo setor do campo. 

Se na fase defensiva a equipe é marcada por uma organização em 4-4-2 muito compacta, com a bola os jogadores ficam mais afastados no campo, justamente para criar espaço para ataques rápidos. Aqui, o principal não é criar superioridade numérica, nem avançar em jogo sustentado. É ter campo para avançar em velocidade, com poucos passes. 11 times trocaram mais passes que a Raposa no Brasileirão, mas, como vimos, só o Flamengo acertou mais o alvo. 

O papel de Wanderson é fundamental nessa dinâmica: taticamente muito importante no jogo de transições perfeitas de Leonardo Jardim, com uma recomposição defensiva eficaz pela canhota, e com intensidade para ligar os contra-ataques. Se ainda não marcou gols ou deu assistências no Brasileirão, Wanderson segue como peça importante pelo dinamismo de fechar a ponta na transição defensiva e já ligar os contra-ataques em velocidade, com boa condução. 

A postura dos jogadores cruzeirenses na mudança de direção, entre a organização defensiva e a transição ofensiva, diz muito: sempre que alguém recupera a bola, o corpo já se volta para o campo adversário para atacar as costas da defesa.

Dois volantes com boa qualidade no passe médio/longo e combativos na marcação também ajudam bastante. Aliás, o time do Cruzeiro conseguiu bons complementos em algumas posições: Fabrício Bruno e Villalba também se complementam muito na zaga. O primeiro tem velocidade, explosão e forte jogo pelo alto, além de boa saída em progressões com bola. O segundo lê muito bem as jogadas, se coloca muito bem e consegue ligar ataques rápidos com passes longos. 

Voltando a falar do coletivo, se na organização defensiva em 4-4-2, Wanderson e Christian fecham a linha com os volantes, deixando Matheus Pereira e Kaio Jorge adiantados na frente, na transição ofensiva os dois atuam em rotações posicionais com os laterais. Matheus Pereira também pode atuar da direita por dentro, embora busque mais o corredor central atrás de Kaio Jorge. 

Desde o início do trabalho, Jardim deixou clara a sua preferência por Kaio Jorge, deixando Gabigol como opção no banco para momentos específicos. Atacante de forte explosão, Kaio Jorge foi impulsionado pelo modelo de jogo do técnico português para se tornar artilheiro do Brasileirão, com ataques mortais às costas das defesas. 

Recentemente, o Cruzeiro sofreu um momento de instabilidade justamente por ficar mais marcado pelos adversários, mas vem encontrando a resposta na dinâmica entre Lucas Silva e Lucas Romero. As rotações posicionais entre os volantes têm servido para gerar desmarques, tornando o time mais confortável com a bola nos pés na saída de jogo. 

O Cruzeiro apresentou muitas vezes a saída 3+2 com duplo pivô, o que deixou de funcionar quando os rivais congestionavam o meio. As mudanças de posição entre Lucas Silva e Lucas Romero na saída de bola ajudaram o time a ficar menos previsível. Os dois se movimentam bastante, trocando de posições, com um recuando mais para junto dos zagueiros, e outro no meio. Isso gera desencaixes na marcação adversária e abre espaço no campo para quebrar as linhas de marcação e avançar em velocidade. 

No último terço, contra rivais mais recuados, Gabigol e Dudu podem ser opções mais interessantes, o que mostra que Jardim tem profundidade de elenco para continuar a luta pelo título com Flamengo e Palmeiras. O Cruzeiro, sob nova direção, deixou de ser apenas um clube com dinheiro, para ser um bom time de futebol em campo. 

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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