Gino cobra solução para conflitos rurais após nova ocupação

Gino cobra solução para conflitos rurais após nova ocupação

O Sindicato Rural de Dourados acompanha a situação ocorrida na Fazenda Ipuitã, em Caarapó, ocupada no dia 21 de setembro por um grupo de indígenas guarani-kaiowá. O episódio tem gerado tensão no local, com registros de confrontos.

Proprietários rurais registraram boletim de ocorrência após notarem movimentações na fazenda, e forças policiais como a Polícia Militar e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) atuam no local para desocupação dos manifestantes.

Diante da escalada do conflito, o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira, afirmou em entrevista ao Dourados News que a situação é acompanhada com grande preocupação e precisa de uma resposta definitiva.

“A invasão de propriedades privadas não é a solução. Há mais de 40 anos esse modelo vem sendo repetido e nunca trouxe melhoria real para os indígenas, apenas aumenta a insegurança de todos”, destacou.

Segundo ele, tanto produtores quanto indígenas acabam prejudicados pela ausência de medidas concretas. 

“Não existe bandido de um lado e vítima do outro. O que vemos é que todos estão sendo prejudicados por um Estado que não resolve o problema. É preciso ter coragem de sentar à mesa, com governo, produtores e lideranças indígenas, para construir um caminho viável”, afirmou.

Entre as sugestões defendidas pelo sindicato está a criação de mecanismos que conciliem direitos e necessidades das partes envolvidas.

“Se a solução for garantir novas áreas para os indígenas, que o governo faça a aquisição dessas terras e dê as condições necessárias para as famílias terem uma vida digna, com projetos que valorizem sua cultura e gerem oportunidades. Só assim vamos transformar esse cenário de conflito em algo positivo para toda a sociedade”, pontuou Gino.

O presidente elogiou o trabalho das forças de segurança, que, segundo ele, vêm atuando de maneira firme, mas sem excessos.
“A Polícia Militar e o DOF têm mostrado competência e paciência, agindo com equilíbrio numa situação muito delicada. Nosso pedido é que a lei seja cumprida, mas que também se avance para um acordo duradouro”, disse.

Gino reforçou que o Sindicato Rural de Dourados seguirá defendendo os direitos dos proprietários rurais dentro da legalidade, e considera urgente uma resposta que traga paz e segurança ao campo.

Conflito

Os indígenas reivindicam o fim da pulverização de agrotóxicos e a demarcação definitiva da Terra Indígena. Parte da área possui reconhecimento judicial, em 2014 o Supremo Tribunal Federal (STF) destinou 50 hectares da Fazenda Ipuitã para a ocupação indígena.

Antes disso, em 2009, o Ministério da Justiça havia declarado 11,4 mil hectares na região como posse tradicional dos guarani-kaiowá.
 

Fonte: Dourados News

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