Após a operação militar que o levou de Caracas a um navio de guerra e, posteriormente, à base de Guantánamo, o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao seu destino final nos Estados Unidos: o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn. A unidade federal, que agora custodia o herdeiro político de Hugo Chávez, possui uma reputação tão terrível que advogados e juízes locais a descrevem como “o inferno na Terra”.
Maduro desembarcou em Nova York vestindo roupas esportivas e sandálias com meias, protagonizando cenas onde, algemado, desejou “Happy New Year” (Feliz Ano Novo) aos agentes que o escoltavam. Ele e sua esposa, Cilia Flores, aguardam agora o julgamento por narcotráfico e narcoterrorismo em uma instalação marcada por crises humanitárias.
Diferente das penitenciárias tradicionais com grandes pátios abertos, o MDC é uma fortaleza vertical de concreto e aço. Localizado a poucos quilômetros de pontos turísticos icônicos, como a Quinta Avenida e o Central Park, o prédio foi inaugurado na década de 1990.
A estrutura é conectada aos tribunais federais por corredores subterrâneos, permitindo o transporte de presos sem exposição pública. Atualmente, é a única unidade do Departamento Federal de Prisões (BOP) em funcionamento na cidade, após o fechamento da prisão de Manhattan devido ao suicídio do financista Jeffrey Epstein, em 2019.
A alcunha de “inferno na Terra” reflete uma rotina de degradação. O presídio opera com superlotação crônica — abrigando mais de 1.300 detentos em um espaço para 1.000 — e sofre com a escassez de funcionários. Relatos da defensoria pública e da mídia americana apontam para a presença de vermes na alimentação, falta de assistência médica e falhas graves de infraestrutura. Em 2019, uma pane elétrica deixou os presos sem aquecimento durante o rigoroso inverno nova-iorquino.
O ambiente de anarquia resultou em múltiplos episódios de violência, incluindo homicídios e quatro suicídios registrados entre 2021 e 2024. A situação é tão crítica que juízes federais já se recusaram a enviar condenados para o local, citando uma “gestão inaceitável e letal”. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou as condições como uma violação dos direitos humanos.
Apesar da precariedade, o MDC é o destino padrão para réus de alta periculosidade. Maduro divide o complexo com figuras históricas do crime organizado e celebridades caídas em desgraça.
Entre os atuais e ex-detentos da unidade estão o líder do Cartel de Sinaloa, Ismael “El Mayo” Zambada; o narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán; e o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández. A lista inclui ainda o rapper Sean “Diddy” Combs, acusado de abuso sexual, e Sam Bankman-Fried, fundador da falida corretora FTX.
Fonte: Jovem Pan News




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