Maduro se declara inocente em tribunal de Nova York e denuncia sequestro pelos EUA

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Ex-líder venezuelano e Cilia Flores alegam sequestro em primeira audiência nos EUA; em Caracas, Delcy Rodríguez assume presidência interina em meio a protestos e tensão militar.

A geopolítica das Américas vive um momento de ruptura histórica. Nesta segunda-feira (05/01), o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, compareceu pela primeira vez a um tribunal federal em Manhattan, Nova York, após ser capturado em uma operação militar dos Estados Unidos.

Vestindo uniforme de detento e utilizando fones para tradução simultânea, Maduro manteve uma postura desafiadora perante o juiz Alvin Hellerstein, declarando-se inocente e classificando sua extração de Caracas como um “sequestro” e a si mesmo como um “prisioneiro de guerra”.

⚖️ O Embate no Tribunal de Manhattan

A audiência durou pouco mais de uma hora e foi marcada pela tentativa de Maduro de discursar politicamente, sendo contido pelo magistrado.

  • Alegação de Maduro: “Sou um homem decente, continuo sendo o presidente do meu país. Fui sequestrado na minha residência.”

  • Acusações dos EUA: O Departamento de Justiça acusa Maduro e sua esposa, Cilia Flores, de liderarem o “Cartel dos Sóis”, uma organização de narcoterrorismo que teria enviado toneladas de cocaína para os EUA em parceria com grupos como as FARC e cartéis mexicanos.

  • Próximos Passos: O juiz negou qualquer possibilidade de fiança. O casal permanecerá preso em uma unidade federal no Brooklyn até a próxima audiência, marcada para 17 de março de 2026.

🇻🇪 Caracas: Posse Interina e Resistência

Enquanto o julgamento ocorria em Nova York, a capital venezuelana presenciava a troca de comando sob a sombra de bombardeios recentes e vigilância de drones.

  • Delcy Rodríguez assume: A então vice-presidente prestou juramento como presidente interina perante a Assembleia Nacional. Em seu discurso, chamou Maduro de “herói refém” e prometeu manter o legado do chavismo por um período inicial de 90 dias, conforme determinação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

  • Tensão no Palácio: Forças de segurança venezuelanas efetuaram disparos contra drones não autorizados que sobrevoavam o Palácio de Miraflores. O governo afirma que a situação está sob controle, mas o clima nas ruas de Caracas é de extrema incerteza.

  • Balanço de Vítimas: Relatos de ONGs médicas indicam que a operação americana deixou cerca de 70 mortos e 90 feridos, enquanto Havana confirmou a morte de 32 cubanos que integravam a guarda de segurança de Maduro.

🌐 Reação Global e Diplomacia

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda preocupação com a violação dos princípios de soberania e integridade territorial, pedindo contenção para evitar uma guerra civil prolongada.

Líder / Instituição Posicionamento
Donald Trump (EUA) Afirmou que os EUA estão “no comando” e que a prioridade é o acesso às reservas de petróleo.
União Europeia Defendeu que a transição deve incluir a Nobel da Paz María Corina Machado.
Brasil (Lula) Condenou o uso da força e convocou reunião de emergência para discutir o impacto na região.
Havana (Cuba) Declarou luto pelos 32 oficiais mortos e classificou a ação como “imperialismo puro”.

🔍 O Futuro Imediato

A estratégia de Washington agora parece focar no pragmatismo econômico. Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, já sinalizaram abertura para dialogar com Delcy Rodríguez, desde que o acesso às reservas petrolíferas venezuelanas seja restabelecido para empresas americanas. No entanto, o Congresso dos EUA, liderado por Mike Johnson, descartou o envio de novas tropas terrestres, esperando que a saída de Maduro leve a eleições gerais — ideia que Trump, até o momento, tratou com cautela.

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