Preço da cesta básica dispara em Dourados e fecha 2025 com quase o dobro do percentual da inflação
O custo dos alimentos essenciais para os douradenses encerrou o ano de 2025 com uma elevação significativamente superior à média de preços do país. Segundo dados do Projeto de Extensão Índice da Cesta Básica, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o conjunto de produtos básicos no município acumulou uma alta de 8,68% nos últimos doze meses.
O índice revela um cenário de forte pressão no orçamento local, uma vez que o aumento foi mais que o dobro da inflação nacional oficial, cuja previsão para o fechamento do ano ficou em 4,32%.
No mês de dezembro, o preço da cesta básica registrou um aumento de 2,13% em relação a novembro, atingindo o valor de R$ 710,30. Para o trabalhador que recebe um salário mínimo, esse custo passou a comprometer 46,79% da sua renda bruta, uma pressão maior do que a registrada no mês anterior, quando o comprometimento era de 45,86%.
Essa variação reflete diretamente no esforço necessário para garantir a alimentação: em dezembro, foram necessárias 102 horas e 56 minutos de trabalho para adquirir os produtos, cerca de duas horas a mais do que o exigido em novembro.
Ao longo do ano, o café em pó e o tomate foram os grandes vilões do orçamento doméstico em Dourados. O café acumulou uma alta de 43,82%, enquanto o tomate subiu 39,46% no período de doze meses. Outros itens que pressionaram o índice para cima foram a banana, com alta de 17,84%, e a manteiga, que subiu 14,51%. Por outro lado, o prato principal dos brasileiros trouxe um alívio importante, com o arroz registrando a maior queda do ano, de 29,72%, seguido pelo feijão, que recuou 19,29%.
A pesquisa da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE) destaca ainda o comportamento dos itens com maior peso no orçamento. A carne, que representa mais de 41% do valor total da cesta, fechou o ano com aumento de 6,16%. Já o pão francês, segundo item de maior relevância, subiu 11,57% em 2025.
Especificamente em dezembro, o tomate teve uma oscilação atípica, chegando a subir 71,91% em apenas um mês, enquanto produtos como a banana e a farinha de trigo registraram quedas expressivas no mesmo intervalo.
Diante da variação de preços, os pesquisadores da UFGD reforçam a importância da pesquisa de mercado por parte dos consumidores. O levantamento identificou que a diferença de preços para os mesmos produtos entre diferentes estabelecimentos da cidade chegou a R$ 123,90 no mês de dezembro, o que representa uma variação de 15,90%. A orientação é que o cidadão utilize também os dados do Procon municipal para identificar onde os alimentos estão mais baratos.
Conforme o professor Enrique Duarte Romero, a perspectiva para 2026 é de uma recuperação no poder de compra. Com o novo salário mínimo estabelecido em R$ 1.621,00, houve um reajuste de 6,79%. Como o aumento superou a inflação projetada, espera-se um ganho real para os trabalhadores e um incremento de mais de 81 bilhões de reais na economia nacional ao longo do novo ano.
Fonte: Dourados News




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