Dourados: dias quentes e úmidos favorecem infestação de caramujos
Com registro de chuvas acima da média e temperaturas elevadas características do verão, as condições climáticas em Dourados estão favoráveis à infestação de caramujos. Isso porque a espécie encontrada com mais frequência no município, consegue se proliferar com rapidez em áreas grandes, mesmo em curto período de tempo.
Popularmente conhecido como Caramujo Gigante Africano, o molusco é hermafrodita, mas como a autofecundação raramente ocorre, ele precisa encontrar um parceiro para se reproduzir. Apesar de acontecer ao longo de todo o ano em regiões de clima quente e úmido, o verão é geralmente a estação mais favorável.
“Os ovos do caramujo africano são depositados no solo, enterrados ou parcialmente enterrados, cerca de 15 dias depois da cópula. Cada postura pode conter de 10 a 400 ovos. As posturas podem ser realizadas várias vezes ao longo do ano, uma ou duas vezes por mês, dependendo das condições ambientais e biológicas. Deste modo, poucos indivíduos são capazes de colonizar uma grande área em um curto período”, explica a bióloga do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Rosana Alexandre da Silva.
Essa espécie de caracol mais prevalente, é considerada uma das “piores espécies invasoras do mundo”, devido aos impactos ambientais, econômicos e de saúde pública provocadas em diversos países. Para evitar que se espalhe rapidamente, é importante manter quintais limpos, livres de mato, lixo e matéria orgânica em decomposição, por exemplo, mesma recomendação para evitar outras infestações como de Aedes Aegypti, escorpiões e ratos.
O caramujo africano se alimenta principalmente de vegetais, como plantas de diferentes tipos, mas em áreas urbanas pode comer qualquer resíduo orgânico que esteja disponível a seu alcance, como restos de comida, ração animal, fezes, cimento, papel e lixo em geral.
COMO CAPTURAR
A forma mais eficiente de controle para evitar a proliferação, é a captura. Qualquer pessoa pode fazer a catação, mas “jamais com as mãos expostas”, alerta a bióloga. Depois disso, os exemplares devem ser colocados em sacos resistentes e destinados à coleta de lixo.
“O uso de pesticidas não é recomendado em função da alta toxicidade dessas substâncias. A melhor opção é a catação manual com as mãos protegidas com luvas ou sacos plásticos. Esse procedimento pode ser realizado nas primeiras horas da manhã ou ‘à noitinha’, horários em que os caramujos estão mais ativos e é possível coletar a maior quantidade de exemplares”, complementa Rosana.
Durante o dia, eles se escondem para se proteger do sol “aderido a algum tipo de superfície dura vertical, como: parede, muro, cerca, caule de plantas, folhagens e entulhos”, explica.
Com hábitos noturnos, caramujos procuram superfícies duras verticais como caules de plantas, para se proteger do sol – Foto: Clara Medeiros / Dourados News
DOENÇAS
Quando está infectado por parasitas, o caramujo africano pode transmitir duas doenças aos humanos. A Meningite Eosinofílica, única que teve casos registrados Brasil, é causada por um verme em um ciclo de transmissão envolvendo roedores e moluscos.
Já a Angiostrangilíase Abdominal também teve casos no país, porém sem confirmação de registro de transmissão pelo caramujo. No entanto, muitas vezes é assintomática e, em alguns casos, pode levar à morte por perfuração intestinal e peritonite.
Em Dourados, não foram notificados casos suspeitos de Meningite transmitida pelo caramujo, segundo a Vigilância Epidemiológica. Mas, caso ocorra os sintomas mais comuns como dores abdominais, o recomendado é procurar a unidade básica de saúde mais próxima de casa, para haja tratamento e também notificação de casos para medidas de controle.
Com relação aos animais domésticos, as únicas evidências até o momento, são de que os caramujos podem transmitir um verme que causa pneumonia em gatos, segundo dados do Laboratório de Malacologia do IOC (Instituto Oswaldo Cruz).
DENÚNCIAS
Além de capturar os moluscos de maneira correta e manter os quintais limpos, lavar bem as frutas e verduras, independente da origem, é essencial para prevenção. Também é possível denunciar ao CCZ, proprietários que não fazem a limpeza adequada dos imóveis. “Trabalhamos na promoção de prevenção e controle das doenças com visitas domiciliares, atendimento de denúncias e palestras”, relatou a bióloga.
Em 2024, foram feitos 15 atendimentos de denúncias relativas especificamente à infestação de caramujos. Em 2025, foram 12 até novembro e o balanço de dezembro ainda não foi fechado. Este ano, não foram recebidos chamados nessa primeira semana.
O proprietário que não fizer a limpeza adequada do imóvel, pode sofrer as penalidades previstas Lei de Controle de Vetores (nº 3965/2016). O telefone para denúncia é o (67) 2222-2074.
Fonte: Dourados News




Comentários