Milhares protestam após mulher ser morta por agente de imigração nos EUA

Pessoas participam de um protesto contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Nova York, em 7 de janeiro de 2026, após um agente do ICE ter matado a tiros uma mulher em Minneapolis. (Foto de Bryan R. Smith / AFP)

A morte da cidadã americana Renee Nicole Good em Minneapolis, após ser baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nesta quarta-feira (8), levou milhares de pessoas a se reunirem na rua onde ela perdeu a vida para prestar homenagem, enquanto a tensão entre as autoridades de Minnesota e o governo do presidente Donald Trump aumenta devido à rejeição local à versão governamental, que sustenta que o agente envolvido agiu em legítima defesa.

A morte de Good impactou a cidade que, em 2020, sofreu com a morte de George Floyd pelas mãos de um policial em uma rua localizada a pouco mais de um quilômetro de distância de onde agora a mulher, de 37 anos, morreu em um incidente que permanece sem esclarecimento.

Com rosas brancas, cravos, velas, cartas escritas à mão e uma cruz de madeira, milhares de cidadãos se uniram aos vizinhos e familiares de Renee Nicole Good para se despedirem dela no local onde perdeu a vida, após ser atingida por disparos de um agente do ICE durante uma operação que segue sob investigação.

A família de Good, junto a alguns de seus vizinhos, a descreveram como uma mulher “amorosa” e “gentil”. A falecida vivia na cidade com seu parceiro e deixou um filho de 6 anos, segundo diversos meios de comunicação americanos.

Uma das vizinhas de Good, entrevistada pelo jornal local “The Minnesota Star Tribune”, disse que ela era querida na comunidade e, em meio à comoção pelo trágico acontecimento, pediu às autoridades a retirada dos agentes do ICE da cidade.

Uma série de vídeos do momento em que Good, a bordo de sua caminhonete Honda Pilot, discute com agentes do ICE viralizou nas redes sociais. Os agentes federais exigem que ela saia do veículo, ela tenta dar partida e um deles força a porta; posteriormente, um agente que estava à frente dispara repetidamente, e o carro bate poucos metros adiante em um poste de luz com a mulher morta em seu interior.

O presidente Trump culpou Good pelo incidente, afirmando que ela era uma “desordeira” e que havia perturbado a operação dos agentes. Além disso, assegurou que ela havia atropelado o agente federal que disparou contra ela, o que não pode ser visualizado em nenhum dos vídeos compartilhados sobre o incidente.

A postura de Trump, que foi endossada pela secretária de Segurança Interna, Kristie Noem – que afirmou que o agente agiu em “legítima defesa” e que ele se encontra estável e fora do hospital -, foi rechaçada pelas autoridades de Minnesota. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou como “lixo” a versão da administração federal.

A morte de Good trouxe de volta ao debate a áspera relação entre o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, ex-candidato à vice-presidência em 2024, e Trump, que protagonizam um confronto pela presença do ICE no estado, o que o governador classificou como um “ato de guerra” em meses anteriores.

A tensão se aprofundou devido à política de Trump em relação à comunidade somali, a mais numerosa no estado, com cerca de 84.000 pessoas, a maioria delas cidadãos ou residentes legais.

O governo federal encerrou proteções como o Status de Proteção Temporária para somalis e vinculou a comunidade a investigações de fraude, acusações que Walz rejeitou como “vis” e discriminatórias, defendendo que estas medidas estigmatizam populações inteiras.

Walz também denunciou publicamente as operações federais como um “espetáculo midiático” e pediu respeito pelas jurisdições locais, enquanto Trump aumentou sua retórica sobre o estado e sua liderança, responsabilizando-os por problemas de imigração e fraude.

Entre o último semestre de 2025 e o atual mês de janeiro, o ICE mobilizou mais de 2.000 agentes em Minnesota e relatou mais de 400 prisões, de acordo com dados oficiais. EFE

*Com EFE 

Fonte: Jovem Pan News

Comentários