Acordo Mercosul-União Europeia beneficia diretamente economia douradense
A pauta de exportações de Dourados deve ser diretamente beneficiada pelo acordo de livre comércio entre UE (União Europeia) e Mercosul, aprovado na tarde desta sexta-feira, dia 09. Essa cooperação pode proporcionar uma abertura de mercado para produtos in natura e industrializados, tanto os que já saem do município para o exterior, quanto para os que estão em fase de prospecção.
O país que mais compra produtos saídos de Dourados, é a China. Mas a cidade também envia grandes quantidades para outros países, incluindo europeus. Entre os que são membros da UE, o município exportou no ano passado para Países Baixos (Holanda), Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Itália, Polônia e Belgica, conforme dados divulgados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
“Para Dourados é um acordo extremamente benéfico, porque nós vamos ter acesso a produtos industrializados europeus, principalmente fios, cabos, fibra ótica mais barata, e vamos ter condições de colocar no mercado europeu, que hoje é muito restrito, produtos in natura e industrializados nossos que entravam em parcelas muito pequenas na Europa”, explica o economista, Carlos Alberto Vitoratti.
Carlos Alberto Vitoratti, economista – Foto: Clara Medeiros / Dourados News
Entre os setores mais impactados estão os grãos in natura de soja e milho, alguns produtos de inverno como centeio, por exemplo, e derivados de carne. “O suíno principalmente, porque o frango a Europa é autossuficiente, não vai importar nosso”, complementa o economista, lembrando que a carne suína industrializada douradense já é boa parte enviada para a Rússia e o leste europeu.
Ele ainda destaca os óleos vegetais, de milho e soja. No caso do subproduto da oleaginosa, a perspectiva é de ampliação na oferta, devido a uma indústria que já atua no município e ainda avança em suas etapas de implantação, com foco especialmente no mercado exterior.
Já para o futuro, o acordo deve se apresentar como uma oportunidade para as usinas de sucroalcooleiras da região. Ainda de acordo com Vitoratti, já há uma preparação do setor para intensificar a produção de hidrogênio verde, com previsão entre 2028 e 2030, para abastecer especialmente os mercados asiático e europeu. O combustível considerado ‘limpo’, tem baixa ou nenhuma emissão de carbono, utilizando como matéria prima ou fonte de energia renovável, a biomassa da cana-de-açúcar, como o bagaço e a palha (incluindo as folhas).
Acordo União Europeia – Mercosul
O anúncio de que a maioria dos países-membros da UE aprovou o acordo, foi feito em pronunciamento pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após 25 anos de negociações. Com isso, ela deve embarcar na próxima semana ao Paraguai, que está na presidência do bloco, para ratificar o acordo com as nações que integram o Mercosul.
O economista explica que esse acordo, na prática, prevê que “nós [do Mercosul] estamos nos comprometendo a comprar mais produtos industrializados da Europa e elementos de tecnologia; e eles [UE], em compensação, se comprometendo a comprar mais produtos primários e semiprocessados do Mercosul. Claro que o maior beneficiado desse acordo é o Brasil, porque é o maior dos sócios do Mercosul”, explica.
“Tem produtos que vão ter 100% de isenção de impostos de exportação e importação, e tem produtos que vão ter redução tarifária, isso vai depender ainda da implementação do acordo e das chamadas ‘cotas de exportação’. Mas, isso tudo é previsto dentro do acordo e é um acordo que tende a beneficiar muito a economia do Mercosul”, complementa.
O bloco composto por países sul-americanos existe desde 1.991 e é formado atualmente por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia (incluída no ano passado). A Venezuela também é considerada Estado-parte, mas está suspensa. A União Europeia foi instituída no ano seguinte e hoje é composta por 27 nações.
Fonte: Dourados News




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