O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton não compareceu, nesta terça-feira (13), a uma audiência a portas fechadas no Capitólio, em Washington, sobre o caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, pelo que está sujeito a acusações de desacato. O ex-mandatário democrata (1993-2001) e sua esposa, Hillary Clinton, foram convocados pelo Comitê de Supervisão do Congresso, que investiga as conexões entre Epstein e figuras poderosas nos Estados Unidos, e como foram tratadas as informações sobre seus crimes. “Ele não compareceu hoje”, disse à imprensa o republicano James Comer, chefe do poderoso comitê na Câmara dos Representantes. “Ninguém está acusando Bill Clinton de nada reprovável, só temos perguntas”, acrescentou.
O depoimento de Hillary Clinton, ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos e derrotada por Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, está previsto para quarta-feira, mas sua presença é pouco provável. O governo Trump enfrenta inúmeras pressões depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma mínima parte dos arquivos do caso Epstein um mês após o prazo legal ter expirado.
A morte de Epstein, encontrado enforcado em sua cela em Nova York em 2019 antes de seu julgamento por crimes sexuais, alimentou inúmeras teorias da conspiração, apoiadas por partidários de Trump, segundo as quais ele teria sido assassinado para proteger personalidades de alto perfil. Figura da alta sociedade nova-iorquina, Epstein é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil jovens, incluindo menores de idade.
Durante sua campanha de 2024, Trump havia prometido à sua base fazer revelações contundentes sobre o financista. Mas, desde seu retorno ao poder, o republicano mostra-se relutante em publicar os documentos do processo e sofre um efeito bumerangue, mesmo entre seus apoiadores. Em agosto, quando o tema gerava grande controvérsia nos Estados Unidos devido à reticência do governo em divulgar os arquivos, o casal Clinton foi convocado pelo Congresso.
“Por sua própria admissão, o senhor viajou a bordo do avião privado de Jeffrey Epstein em quatro ocasiões em 2002 e 2003”, afirmava a intimação de Comer enviada a Bill Clinton. E sobre Hillary indicava: “Sua família parece ter tido vínculos estreitos com Jeffrey Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell”, condenada em 2021 a 20 anos de prisão por crimes de exploração sexual.
A comissão votará na próxima semana para iniciar um procedimento contra Bill Clinton por obstrução ao Congresso, acrescentou Comer nesta terça-feira. Depois, esse processo deve ser votado na Câmara, antes de o Departamento de Justiça tomar medidas legais.
Bill Clinton disse em 2019 que não tinha contato com Epstein havia mais de uma década e assegura que nunca teve conhecimento dos “terríveis crimes” do empresário. O presidente Trump e Epstein tiveram uma relação próxima. Mas, assim como Clinton, o republicano nega ter conhecimento dos delitos cometidos pelo financista e afirma que rompeu com ele muito antes das investigações pela Justiça.
No fim de dezembro, o governo Trump começou a publicar milhares de arquivos sobre o caso de Epstein, em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso em novembro. Segundo o Departamento de Justiça, até agora foram publicados cerca de 12.285 documentos que somam mais de 125.000 páginas, mas que representam menos de 1% do total atualmente em revisão.
O primeiro pacote de materiais divulgado incluía fotografias de Bill Clinton e de outros famosos, como as estrelas do pop Mick Jagger e Michael Jackson, que também frequentavam espaços com Epstein. Clinton afirmou não ter nada a esconder e instou o Departamento de Justiça a publicar todo o material relacionado a ele. As últimas revelações, em dezembro, contêm muitas referências a Trump, incluindo documentos que detalham os voos que realizou no jato privado de Epstein.
*Com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan News




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