Bebê com suspeita de intoxicação continua na UTI e vigilância detalha ações de monitoramento
A bebê de dois meses de idade que foi internada em Dourados após consumo de fórmula infantil de lote alvo de proibição, está com suspeita de meningite. Em nota divulgada nesta quarta-feira, dia 14, as Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica informaram que ela teve melhora, mas permanece na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
A menina está “hemodinamicamente estável e com melhora do quadro, porém ainda segue intubada”, detalhou o comunicado. A Vigilância Epidemiológica foi oficialmente notificada do caso na segunda-feira, dia 12, e amostras clínicas foram encaminhadas ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) na terça-feira, dia 13, onde permanece em análise para confirmação do agente etiológico, ou seja, o causador direto da doença.
A criança está internada em um hospital particular de Dourados desde sexta-feira, dia 9. Ela deu entrada dois dias depois da publicação da resolução nº 32/2026 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que trouxe a lista de lotes que tiveram a comercialização, distribuição e uso proibidos.
“De acordo com informações repassadas pelos familiares, a criança apresentou sintomas como choro intenso, sinais de desconforto, dor e episódios de vômito tendo consumido leite em fórmula infantil (NAN Sensitive). No atendimento hospitalar, os exames clínicos e laboratoriais levantaram a hipótese diagnóstica de meningite, com identificação de Salmonella spp. em amostra de ‘líquor’ analisada no próprio hospital, além de sinais clínicos compatíveis com infecção intestinal”, detalha a nota das Vigilâncias.
O hospital também teria notificado que a criança recebeu regularmente no dia 08,os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação para a faixa etária de 2 meses (Pentavalente, Pneumocócica 10-valente e VIP), no município de domicílio.
A família mora em Douradina, cidade a menos de 40 km de Dourados. Diante disso, os dados sobre a bebê foram comunicados às áreas técnicas da Secretaria de Estado de Saúde.
ANÁLISE DA FÓRMULA
As Vigilâncias de Dourados ainda confirmaram que os familiares disponibilizaram a lata da fórmula consumida pela bebê e que essa consta entre os produtos suspensos pela Anvisa. Uma amostra foi coletada nesta quarta-feira, e será encaminhada para o Lacen na manhã de quinta-feira, dia 15, devido ao horário de recebimento de amostras pelo laboratório.
“Até o momento, não há confirmação de relação causal entre o consumo da fórmula infantil e o quadro clínico apresentado. O caso segue em investigação, com acompanhamento conjunto das Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária municipais e estaduais. A situação permanece sob monitoramento”, detalhou o documento.
FISCALIZAÇÃO E LISTA DE PROIBIDOS
O caso da menina fez com que a Vigilância Sanitária fizesse um reforço nas ações de fiscalização, para orientar estabelecimentos sobre a resolução da Anvisa. Desde segunda-feira, foram visitados 31 supermercados e farmácias, da região central e também dos bairros. Foi encontrado produto proibido para venda, somente na prateleira de um dos mercados visitados. A empresa foi orientada a fazer a retirada.
Estão incluídos na lista de proibidos, somente lotes especificados das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricadas pela Nestlé Brasil. A medida não tem impacto sobre os demais lotes de produtos desses mesmos selos da indústria. A lista nos incluídos na devolução voluntária, está disponível no site da Anvisa e da Nestlé.
A fabricante divulgou como orientação que os “consumidores com produtos pertencentes aos lotes especificados no recall suspendam imediatamente o uso e entrem em contato com o Atendimento ao Consumidor da Nestlé para devolução gratuita e reembolso integral, pelos canais [email protected], 0800 761 2500 e WhatsApp (11) 97893-3289”, disponíveis 24h”.
“A identificação dos lotes é feita a partir da combinação do nome do produto e faixa etária, gramatura e número do lote, impresso na parte inferior da lata. Caso as informações coincidam com a lista oficial do recall, o consumo deve ser interrompido. Se não coincidirem, o produto não faz parte dos lotes envolvidos e seu consumo é seguro”, detalha a indústria.
CASOS CONFIRMADOS NO DF
Ainda nesta terça-feira, a SES-DF (Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal) confirmou dois casos em pacientes de cerca de um ano de idade, que apresentaram vômitos persistentes e diarreia, após consumirem fórmulas infantis. Sobre esses casos, a fabricante já havia informado ao Dourados News estar “em contato com as autoridades competentes para investigar possíveis casos de reações após consumo de produtos pertencentes ao recall com agilidade”.
Já sobre o caso de Dourados, o posicionamento mais recente era de que não havia recebido até o momento “registros oficiais de casos de internação em seus canais oficiais de atendimento ao consumidor”. “A companhia segue empenhada em atender todos os contatos recebidos, tratando cada caso de forma individual, em conformidade com seus processos internos e políticas de atendimento”, complementou.
A possível presença da substância Cereulide, produzida pelo microorganismo Bacillus cereus, em um dos ingredientes utilizados em suas fórmulas infantis, foi identificada pela própria Nestlé durante análises periódicas de qualidade. Foi também a fábrica quem comunicou a Anvisa, para pedir a retirada voluntária e preventiva dos lotes do mercado brasileiro. A indústria alega que aguardou autorização do órgão e seguiu os processos junto aos varejistas que já tinham os produtos em estoque e comunicado os consumidores.
Fonte: Dourados News




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