Com R$ 50,7 mi na conta, Estado deve licitar rede de água das aldeias em até seis meses
Após décadas de espera pela comunidade, foi assinado nesta sexta-feira, dia 16, o convênio do Governo do Estado com a Caixa Econômica Federal para a liberação de R$ 50,7 milhões para a implantação de Sistema de Abastecimento de Água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados.
Os recursos são federais, viabilizados através de emendas parlamentares da bancada de Mato Grosso do sul. A partir da assinatura do contrato com o banco, a verba vai para os cofres estaduais, o que permite à Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) dar início aos trâmites para abertura do processo de licitação para contratar a empresa que vai executar a obra.
A expectativa é de que esses trâmites licitatórios até a abertura canteiro de obras, levem entre quatro e seis meses, segundo o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha. “Evidente que não é uma obra de curto prazo, essa obra ela tem com prazo de licitação e andamento, em torno de dois anos. Mas, ao menos é o início e, com certeza, para poder em algum tempo, entregar o abastecimento de água da Jaguapiru e Bororó com dignidade”, afirmou.
Governador em exercício, José Carlos Barbosa, o barbosinha, em cerimônia de assinatura do convênio. – Foto: Clara Medeiros / Dourados News
TAMANHO DA REDE
Os sistemas incluem captação por poço tubular de 150 mil litros por hora, tratamento com cloração, dois reservatórios de 500 mil litros e um de 50 mil litros elevado, além da rede de distribuição de 103,84 km na Bororó com 2,9 mil ligações domiciliares; e 80,9 km na Jaguapiru com 3 mil ligações. A estrutura seria para comportar o atendimento a 29,4 mil habitantes, considerando uma projeção populacional para 2.033.
A implantação que levará, pelo menos, 24 meses deve ser executada de forma independente, mas simultânea, nas duas aldeias. Somente quando todas as ligações estiverem prontas, é que a água começará efetivamente a ser distribuída.
“Primeiramente nós vamos perfurar os poços, fazer a ‘reservação’, as redes de distribuição e as ligações de água. No momento em que o sistema passar a operar, já é atendendo todo mundo”, explica Madson Valente, diretor de Operações da Sanesul, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgoto no município.
OPERAÇÃO
Foi a concessionária que ajudou a pedido do Governo do Estado, a montar o projeto da rede de água para aldeias, que foi levado à bancada federal na busca pelos recursos. No entanto, a operação do sistema ainda está indefinida.
“Operar é uma possibilidade, mas não é nada concreto”, explica Valente sobre a possibilidade desse trabalho ficar a cargo da própria Sanesul. “Há um esforço coletivo do Governo do Estado e do Governo Federal pra decidir, no futuro, de que forma vai ser essa operação”, complementa.
Madson Valente, diretor de Operações da Sanesul – Foto: Clara Medeiros/Dourados News
“A Sanesul é uma empresa que sobrevive da cobrança de tarifa, então são assuntos administrativos que terão que ser resolvidos”, afirmou o governador em exercício, lembrando que a empresa via acompanhar o andamento da obra. “Durante esse período [de obras], nós teremos que estabelecer se a Sanesul vai ser a operadora desse sistema. Há uma conversa, um diálogo nessa direção, e nós teremos tempo hábil suficiente para poder dizer quem é que vai operar o sistema da nossa comunidade indígena”, pontuou.
Para o capitão da aldeia Jaguapiru, o indígena terena Vilmar Martins Machado da Silva, a falta de água na Reserva é “um abandono que se arrasta até hoje. Todo mundo sabe da problemática e até hoje não tomaram posição pra solucionar. Agora, daqui pra frente, a assinatura dessa ordem de serviço, significa esperança para nossas comunidades”, pontuou.
Ele lembra que atualmente os indígenas Guarani, Kaiowá e Terena que moram nas aldeias dependem de serviços paliativos, já que existem somente alguns poços em funcionamento e abastecimento com caminhões pipa. “A água é o básico que a gente tem que ter. A pessoa não ter a água para fazer o alimento dela, tomar seu banho, isso é lamentável, é desumano”, afirma.
Vilmar Machado, capitão da aldeia Jaguapiru – Foto: Clara Medeiros/Dourados News
De acordo com o Barbosa, as medidas paliativas vão continuar até que a rede seja implantada. “Quando você entrega caminhão pipa, é reconhecimento de que não tem água. Lembrando de que essa é uma obrigação do Governo Federal que foi abraçada pelo Governo do Estado e estamos resolvendo graças ao trabalho da bancada federal”, afirmou.
OUTRAS OBRAS
A assinatura do contrato foi durante uma cerimônia na sede da Regional da Sanesul, durante agenda do governador em exercício. Na ocasião, ele também fez a entrega de obras que somaram R$ 86,8 em investimentos, incluindo ligações de água e esgoto, e adequações nas estações de tratamento.
“É o direito ‘número um’ de uma pessoa ter água pra beber e o esgoto nós precisamos ampliar o esgotamento sanitário em Dourados, porque tem muitos bairros ainda que não tem esse serviço. Isso significa saúde pública”, afirmou o prefeito, Marçal Filho.
Marçal Filho, prefeito de Dourados – Foto: Clara Medeiros / Dourados News
Antes dessa agenda, o governador esteve no distrito de Vila Vargas onde foi entregue a obra de ampliação e melhorias no prédio de atendimento ao cliente da Sanesul. Depois seguiu para uma agenda de entrega de equipamentos no Hospital da Vida.
Fonte: Dourados News




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