O que mais precisa acontecer? Acorda, BRASIL!, por Rodolpho Barreto

O que mais precisa acontecer? Acorda, BRASIL!, por Rodolpho Barreto

Quem vê as imagens de venezuelanos revirando lixo em busca de comida ou caminhando quilômetros para cruzar a fronteira brasileira não imagina que aquele país já esteve entre os mais ricos do mundo. Batizado pelos colonizadores espanhóis por semelhanças com Veneza, teve um dos primeiros reatores nucleares da América Latina e figurou entre os raros destinos fora da Europa atendidos pelo avião supersônico “Concorde”, além de exibir modernas universidades, infraestrutura urbana sofisticada e uma classe média em franca ascensão. Esse era o cenário quando, em 1999, Hugo Chávez elegeu-se presidente e começou a montagem de um regime ditatorial que batizou de “socialismo bolivariano”. 

ACABOU? E então a “Venezuela Saudita”, denominação derivada das imensas jazidas de petróleo, começou a descer a ladeira da falência. A partir de 2013, sob o comando de Nicolás Maduro, a degradação se acelerou. Liberdades foram suprimidas por um Estado repressivo, ao mesmo tempo em que o desemprego, a miséria e o medo se espalhavam. A crescente aproximação com a China, a Rússia e o Irã parece ter sido a gota d’água. Assim, Nicolás Maduro foi capturado por forças especiais dos Estados Unidos e levado à Justiça norte-americana. Ali, ele responderá a acusações de profundo envolvimento com o narcotráfico. Seria o encerramento de uma era lastimável? Ainda é cedo para saber.

Segundo a comentarista política, Ana Paula Henkel, a captura do agora ex-ditador envia um recado claro: “o Hemisfério Ocidental não está disponível para a consolidação estrutural de potências rivais fundadas em ideologias autoritárias que tratam a liberdade como obstáculo e o Estado como fim”. Com a aposentadoria de Maduro, o mapa político latino-americano entra em um processo de reconfiguração — ainda mais sensível em um ano de eleições presidenciais na Colômbia e no Brasil. Durante muito tempo, a Venezuela foi um dos sustentáculos do Foro de São Paulo. Por isso, a esquerda latina corre para condenar a ação norte-americana como “imperialista”. (Fonte: Revista Oeste)

E NÓS? Porém, o povo venezuelano, que viveu sob a ditadura de Maduro, comemora a possibilidade real de libertação do país. Para quem ainda duvidava dos relatos sobre as atrocidades do regime, um relatório da ONU desnuda a barbárie: poucos meses depois de Maduro assumir o poder, cemitérios receberam dezenas de corpos de opositores assassinados por agentes da repressão. Os sobreviventes foram presos e submetidos a violência física e psicológica. E o Brasil nisso tudo, cúmplice petista da Venezuela!? Infelizmente, nossas atuais deformações institucionais são preocupantes. Não chegamos ainda num fundo do poço como nossos hermanos, mas as semelhanças são inegáveis.

Três anos depois das manifestações do 8 de janeiro, centenas de inocentes continuam presos sem ter os direitos básicos respeitados ou tratamento adequado de saúde. O STF enxergou em cidadãos comuns reunidos para protestar autores de um golpe de Estado inexistente, imaginário, especulativo, sem armas, sem provas. Na busca por punições políticas, o Supremo produziu mais uma aberração jurídica: a prisão com requinte de crueldade. O ano mal começou e o ministro Alexandre de Moraes já voltou ao centro das atenções. “Suas decisões se mostram cada vez mais absurdas e abusivas. É como se o ministro, a cada escândalo, dobrasse a aposta para peitar tudo e todos”. (Rodrigo Constantino)

E ELES? O nome de outro ministro, Dias Toffoli, surge no enredo escandaloso do Banco Master. Como enfatiza o jornalista Alexandre Garcia, o que assusta é a promiscuidade: “como se misturam os interesses e se vendem e compram pessoas como se fossem passes de jogador de futebol”. Vamos lembrar? Foi de Toffoli a decisão de criar a aberração jurídica conhecida como Inquérito 4.781, a pedra fundamental da ditadura do STF, um inquérito ilegal e interminável, onde eles acusam, julgam, são vítimas etc.  Anos depois, em maio de 2024, Toffoli anulou todos os processos da Lava Jato contra Marcelo Odebrecht. Assim é o STF: implacável contra o “bolsonarismo” e a anistia para os corruptos?

Um relatório da Organização dos Estados Americanos aponta como possível “caso zero” (início) da atual crise política no Brasil a censura imposta à revista Crusoé, em 2019, quando o STF mandou “retirar do ar” a reportagem sob o título “O amigo do amigo do meu pai”, que expunha a relação do ministro Dias Toffoli com a Odebrecht. E adivinha que nome agora aparece novamente nos noticiários, em atitudes para lá de suspeitas envolvendo um grande escândalo nacional, talvez a maior fraude bancária de todos os tempos? Pois é! Mais um exemplo de como a nossa Corte Suprema se transformou na principal fonte de insegurança jurídica do país. (Fonte: Gazeta do Povo)

LEMBRA? Ao voltar a impedir a prisão após condenação em segunda instância — que havia sido autorizada dois anos antes — os ministros do STF abriram caminho para a soltura de Lula. “A posterior anulação das condenações por uma tese esdrúxula do ministro Edson Fachin, assim como o livramento dos corruptos apanhados pela Operação Lava Jato, golpearam duramente a imagem do Supremo”, diz o jornalista Eugênio Esber, em reportagem para a Revista Oeste. Segundo Alexandre Garcia, comentarista político, o nosso Supremo é um caso único para o mundo jurídico. E o contrato de R$ 3,6 milhões por mês da esposa de Moraes com o Master é o retrato que resume tudo isso.

O escritor e comentarista político Roberto Motta completa: “Desde os inquéritos abertos de ofício até os processos do 8 de janeiro, a mensagem do sistema de justiça (supremo) é a de que existem duas categorias de indivíduos e apenas uma delas — os amigos do partido — receberão o tratamento benéfico da lei”. O PT é o exemplo acabado dessa distorção. Desde que chegou ao poder pela primeira vez, no início do século, o partido se notabilizou pela sucessão de escândalos. “Quando Lula venceu a eleição de 2002, estava tudo pronto para a institucionalização da roubalheira facilitada ou protegida pela anuência do governo federal. É ainda onde estamos.” (Augusto Nunes) 

E 2026? “Com o bando de volta ao local dos crimes, o primeiro quarto deste século será lembrado, na História Nacional da Infâmia, como a Era da Ladroagem.” Difícil discordar, para quem não está cego aos fatos. Na reta final de 2025, o escândalo do Banco Master deve se manter em alta ao longo dos próximos meses, com o potencial de influenciar as eleições deste ano (assim esperamos) – especialmente se a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar o caso for instalada. Tomara! Que 2026 seja um grande ano, de um começo de mudança! O que mais precisa acontecer para ficar entendido que esse governo é o que há de pior para o nosso país?

As inúmeras conexões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com políticos e representantes do Judiciário podem prejudicar e comprometer candidaturas. O desgaste do STF nas últimas semanas devido à conduta de ministros no caso pode prejudicar campanhas de aliados próximos a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Os “defensores da democracia”, quem diria, hein? O senador Alessandro Vieira declarou, nesta quinta-feira (15), que ministros do Supremo tentam “constranger e intimidar” órgãos federais de controle e fiscalização. Ele refere-se especificamente a Moraes e Toffoli, que, em decisões recentes, teriam tentado limitar os poderes da Polícia e da Receita Federal. “Os ministros tentam de todas as formas constranger e ameaçar a Polícia e a Receita. É abuso de poder escancarado. Não conseguem explicar relações com investigados e transações milionárias, então partem para a intimidação”.

Fonte: Dourados News

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