Líder do Irã admite pela primeira vez que protestos deixaram ‘milhares de mortos’ 

Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana, organizado pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, em Whitehall, no centro de Londres, em 11 de janeiro de 2026, para protestar contra a repressão do regime iraniano ao acesso à internet e

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste sábado (17) que “vários milhares” de pessoas morreram nos protestos, pelos quais responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O religioso afirmou que “elementos ignorantes e desinformados, sob a liderança de agentes mal-intencionados e treinados”, cometeram crimes que “provocaram a morte de vários milhares de pessoas”, em um encontro por ocasião do aniversário da escolha de Maomé como profeta do islã em Teerã, informou o site do político e a agência de notícias “Tasnim”.

Até agora, as autoridades iranianas não haviam fornecido números de mortos nos protestos, mas ONGs de oposição sediadas no exílio estimam em 3.428 as vítimas e em 19 mil os detidos.

Khamenei asseverou que foram cometidos “atos extremamente desumanos, como prender e queimar jovens vivos em mesquitas, e assassinar meninas e homens e mulheres indefesos, com armas fornecidas do exterior”.

O político disse ainda que, nos protestos, foram destruídas 250 mesquitas, mais de 250 centros educacionais e científicos, além de terem sido provocados danos a instalações do setor elétrico, bancos, complexos de saúde e lojas de produtos básicos.

Em seu discurso, Khamenei responsabilizou Trump pelas vítimas e pelos danos sofridos nos protestos que sacudiram a República Islâmica nas últimas semanas.

“Consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana”, disse.

A máxima autoridade política e religiosa do Irã afirmou que os protestos que abalaram o país “foram um complô americano e o objetivo americano é devorar o Irã”.

“A particularidade do recente complô é que o próprio presidente dos Estados Unidos interveio pessoalmente: falou, ameaçou e, encorajando os conspiradores, enviou-lhes a mensagem para que avançassem, que não tivessem medo e que contavam com nosso apoio militar”, afirmou.

O político afirmou que havia agentes selecionados pelos serviços de inteligência de EUA e Israel para provocar o país e influenciar outras pessoas.

Khamenei disse que “não levaremos o país à guerra, mas também não deixaremos impunes os criminosos internos e internacionais do complô americano” e destacou que “os Estados Unidos devem prestar contas”.

As mobilizações começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã fecharam seus negócios devido à queda do rial, mas logo se espalharam por todo o país com gritos de “Morte à República Islâmica” e “Morte a Khamenei”.

Os protestos foram se expandindo até que nos dias 8 e 9 de janeiro chegaram ao seu auge com uma explosão de manifestações em praticamente todo o Irã, que derivaram em atos de vandalismo contra órgãos públicos, bancos que foram destruídos e o incêndio de 53 mesquitas em todo o país, segundo a versão oficial do governo iraniano.

Teerã sustenta que os protestos econômicos se tornaram violentos pela infiltração de agentes externos apoiados por Israel e EUA para justificar uma intervenção militar de Washington, que não ocorreu até agora.

Trump ameaçou atacar o país se morressem mais pessoas quando a contagem de mortos era de sete e, mais tarde, afirmou que “há ajuda a caminho”, o que muitos interpretaram como um aviso de intervenção na República Islâmica.

*Com EFE

 

Fonte: Jovem Pan News

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