O Fundo revisou o crescimento mundial para 3,3%, mas alertou que a instabilidade nas tarifas de Donald Trump e a dependência de poucos setores geram vulnerabilidades.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima, nesta segunda-feira (19/01/2026), sua previsão de crescimento da economia mundial para 2026. A nova estimativa aponta uma expansão de 3,3%, superando em 0,2 ponto percentual o cálculo anterior de outubro. De acordo com o relatório Perspectivas da Economia Mundial, o ritmo deve igualar o desempenho observado em 2025.
O “Vento de Cauda” da Inteligência Artificial
O principal motor dessa revisão positiva é o avanço massivo dos investimentos tecnológicos.
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Impacto no PIB: O FMI estima que o boom da IA adicionou cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento dos EUA nos três primeiros trimestres de 2025.
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Divergência Regional: O impacto positivo é mais evidente na América do Norte e na Ásia. Enquanto os EUA devem crescer 2,4% em 2026, a zona do euro projeta apenas 1,3%.
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Risco de Bolha: O economista-chefe, Pierre-Olivier Gourinchas, alertou para uma possível “correção de mercado” caso as expectativas de lucro e produtividade da IA não se concretizem.
Tarifas de Trump e a Suprema Corte
Apesar do otimismo tecnológico, a política comercial de Donald Trump segue como a maior fonte de incerteza global.
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Histórico Recente: Desde seu retorno à Casa Branca em 2025, Trump impôs tarifas generalizadas, embora tenha alcançado uma trégua temporária com a China.
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Decisão Judicial: A Suprema Corte dos EUA deve decidir, ainda no início de 2026, sobre a legalidade do uso de poderes de emergência por Trump para aplicar tarifas.
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Incerteza: Uma decisão contrária do tribunal poderia gerar reembolsos bilionários e injetar uma “nova dose de incerteza” na economia global.
Cenário para o Brasil e América Latina
Diferente da tendência global, as projeções para o Brasil e seus vizinhos foram reduzidas.
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Brasil: O FMI cortou a projeção de crescimento para 1,6% em 2026 (queda de 0,3 ponto). O principal motivo é a política monetária restritiva necessária para conter a inflação.
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América Latina: A região deve crescer 2,2%, refletindo as dificuldades de adaptação aos choques comerciais.
A Crise de Independência do Fed
O FMI reforçou a necessidade de bancos centrais independentes em meio a um embate político sem precedentes nos EUA. No último domingo (11/01), o Departamento de Justiça (DOJ) abriu uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. A apuração foca em supostas mentiras ao Congresso sobre custos de reforma da sede do banco. Powell classificou a ação como uma tentativa de intimidação por parte do governo Trump para forçar a redução dos juros.




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