Transportados em pneus ou até com batatas, emagrecedores contrabandeados perdem efeito no caminho

O transporte precário em pneus, tubos de batata e malas expõe os medicamentos a altas temperaturas, deteriorando o princípio ativo e gerando riscos graves à saúde.

A criatividade dos contrabandistas para ocultar “canetas emagrecedoras” nas fronteiras de Mato Grosso do Sul tem um efeito colateral perigoso: a destruição da eficácia do medicamento. Especialistas alertam que o transporte em compartimentos ocultos, como estepes de veículos ou amarrados ao corpo, submete substâncias sensíveis a temperaturas que as tornam ineficazes ou nocivas.

A Importância da Cadeia de Frio

Medicamentos modernos para emagrecimento, como a Tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), exigem rigoroso controle térmico:

  • Temperatura Ideal: Devem ser mantidos refrigerados entre 2°C e 8°C.

  • Degradação: Exposta a temperaturas acima de 30°C, a molécula se deteriora e perde sua função terapêutica.

  • Substâncias Nocivas: Se o produto for falsificado, o calor pode desencadear reações químicas que geram toxinas e causam alergias graves.

  • Invisibilidade do Dano: O líquido (transparente ou levemente amarelado) não muda de cor mesmo após estragar, impossibilitando a identificação visual do problema pelo consumidor.

Rotas e Métodos de Ocultação

As apreensões realizadas pela PRF, BPMRv e DOF revelam métodos de transporte que ignoram qualquer norma sanitária:

  • Disfarces Inusitados: Frascos foram encontrados dentro de tubos de batata Pringles, enrolados em mantas ou escondidos em fundos falsos de garrafas d’água.

  • Cargas Mistas: As canetas viajam junto a pneus, eletrônicos e cigarros, permanecendo horas em ambientes abafados durante o trajeto até grandes centros como São Paulo.

  • Lucratividade: A motivação do crime é o lucro de até 300%; um frasco comprado por R$ 250 no Paraguai pode ser revendido por R$ 900 no Brasil.

Implicações Legais e Médicas

A importação desses itens sem autorização da Anvisa é crime de contrabando, com pena de 2 a 5 anos de prisão.

“O paciente fará uso de um medicamento caro e que não fará efeito. Ficará frustrado achando que o seu corpo não responde, mas na verdade o produto está literalmente ‘estragado’.” — Daniely Proença, presidente do CRF-MS.

Além disso, o mercado ilegal já comercializa substâncias como a Retatrutida, que ainda está em fase de testes e não tem segurança comprovada para humanos.

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