Moradora de Dourados relata luta contra doença rara e alerta para riscos de reações medicamentosas
A história da moradora de Dourados, Tatiane do Nascimento Benites, de 43 anos, comerciante, tem mobilizado as redes sociais e serve como um importante alerta sobre os riscos de reações graves a medicamentos. Diagnosticada recentemente com a Síndrome de Stevens-Johnson, uma doença rara e potencialmente fatal, ela transformou sua experiência em um relato de conscientização, superação e fé.
Tatiane conta que tudo começou em dezembro, em um período que deveria ser marcado por alegria e comemoração. O planejamento era intenso, trabalhar no Natal e no Ano Novo e, logo depois, viajar por dez dias para a praia. “Tudo estava organizado”, relembra. No entanto, nada saiu como o previsto. O que seria um fim de ano de celebração acabou se transformando em uma batalha pela própria vida.
Segundo Tatiane, os primeiros sinais surgiram no dia 29 de dezembro de 2025, quando começou a sentir febre. No dia seguinte, o quadro se agravou com o fechamento da garganta. Já no dia 1º de janeiro, foram os olhos que se fecharam completamente.
Nesse intervalo, ela relata ter ido e voltado de atendimentos médicos sem que houvesse uma definição clara sobre o que estava acontecendo. Até que, ainda no dia 1º, à 0h15, deu entrada no hospital com o “corpo todo pipocando”.
“O susto foi grande”, lembra. Inicialmente, a suspeita era de uma alergia comum, o que gerou uma verdadeira correria para estabilizar seu quadro. Porém, o diagnóstico posterior foi de Síndrome de Stevens-Johnson, uma doença rara, grave e que pode levar à morte.
Tatiane permaneceu cerca de 12 dias internada, totalizando aproximadamente 15 dias sob cuidados médicos até que houvesse uma definição precisa sobre o que estava acontecendo com seu organismo.
Uso de medicamentos e investigação
Nas redes sociais, Tatiane faz questão de reforçar que não se automedicou em nenhum momento. Tudo o que tomou foi sob orientação médica. Ela relata que fazia uso de suplementos como vitamina B12, vitamina D e ferro há cerca de três meses, além de ter utilizado colchicina, dipirona e nimesulida, sempre com prescrição.
Mesmo assim, ela enfatiza que ainda não é possível afirmar qual medicamento desencadeou o quadro. “Vou precisar fazer um teste para saber com precisão qual medicamento ocasionou a reação”, explica.
Por ter passado dos 40 anos, Tatiane conta que realiza check-up ginecológico anual e, neste ano, foi diagnosticada com um quadro leve de anemia, motivo pelo qual iniciou o uso dos suplementos.
Na semana do Natal, percebeu algumas alterações no corpo, mas decidiu aguardar o fim das datas comemorativas para procurar novamente o médico. Ainda assim, interrompeu os remédios no dia 27 de dezembro, e, logo em seguida, as reações começaram.
Inicialmente, os médicos trataram o caso como garganta inflamada e conjuntivite, com prescrição de antibióticos, remédios para febre, spray para garganta e colírios. Porém, no dia 31 de dezembro, a situação se intensificou.
Ela relata que a reação já estava “queimando por dentro”, principalmente nos olhos, garganta e partes íntimas. Ao chegar ao hospital, um dos médicos rapidamente levantou a suspeita da Síndrome de Stevens-Johnson.
Emocionada, Tatiane conta que, ao pesquisar sobre a doença, encontrou muitos relatos de casos com complicações severas. “Eu fui muito abençoada, conseguiram descobrir muito rápido”, afirmou.
No momento mais crítico, ela foi avaliada por um clínico geral e um infectologista, reforçando a gravidade e complexidade do quadro.
A síndrome também atingiu o fígado, ocasionando uma hepatite medicamentosa, que já foi tratada. Outra reação percebida nos primeiros dias foi a desregulação da menstruação.
Durante cerca de sete dias, Tatiane ficou com os olhos completamente fechados. Nesse período, conta que não viu muitos dos rostos de quem a ajudou, mas conseguiu sentir o cuidado e o carinho das equipes de saúde.
Recuperação e acompanhamento
Recentemente, Tatiane compartilhou nas redes sociais um vídeo de uma nova consulta com o oftalmologista, indicando mais uma melhora, embora ainda sinta a sensação de areia nos olhos.
A comerciante está se recuperando, mas continua em tratamento. – Foto: Arquivo Pessoal
Nos primeiros vídeos publicados, ela aparece com marcas na boca semelhantes a queimaduras e usando óculos escuros, já que a claridade ainda a incomodava.
Nas redes sociais, Tatiane também compartilha o impacto emocional vivido durante a internação. “Achei que não ia voltar, achei que não ia viver, mas Deus é muito bom. Eu orava o tempo todo”, disse.
Ela conta que, em nenhum momento, questionou Deus sobre o porquê de aquilo estar acontecendo com ela. Pelo contrário, afirma que a experiência lhe trouxe uma nova perspectiva sobre a vida e o futuro.
Hoje, diz que não faz mais planos como antes: “Eu vou organizar a minha vida, mas não vou mais fazer planos”, declarou, destacando que passou a enxergar o mundo e o tempo de uma forma diferente após a doença.
Atualmente, Tatiane utiliza as redes sociais para compartilhar toda a trajetória, desde os primeiros sintomas até o tratamento atual, como forma de alerta.
Fonte: Dourados News




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