Irã diz estar disposto a negociar com EUA, mas reagirá a agressões

O embaixador iraniano Ali Bahreini

O Irã afirmou nesta segunda-feira (26) “estar pronto” para negociar com os Estados Unidos se o país quiser iniciar um diálogo “genuíno”, mas, ao mesmo tempo, advertiu que, se sofrer uma agressão, responderá.

“O Irã não está buscando o confronto, mas se alguém ou um país tentar agredir o Irã, então nós responderemos. A agressão é nossa linha vermelha”, disse nesta segunda-feira o embaixador do Irã na sede europeia da ONU em Genebra, Ali Bahreini.

“Se houver intenção de uma negociação genuína, de respeitar o interesse de todas as partes, estamos prontos para negociar. Mas se uma parte considera a negociação como um meio para impor sua visão à outra parte, isso não pode ser considerado negociação”, afirmou o diplomata em uma reunião com um pequeno grupo de veículos da imprensa internacional.

Para sustentar sua advertência, o diplomata lembrou que, quando seu país foi atacado em 2025, o Irã contra-atacou: “Não os agredimos, nos defendemos. Fomos muito sérios em dar uma resposta forte”.

“Devemos estar preparados para qualquer cenário, inclusive alguma agressão; não podemos negar que é uma possibilidade. Os Estados Unidos são imprevisíveis e mostraram que não se importam com nenhuma regra. A única maneira de deter uma agressão é sendo poderoso”, ressaltou.

Acrescentou que o Irã pode esperar de uma negociação é que se reconheça seu direito ao uso de tecnologia nuclear com fins pacíficos. “Se não houver esse reconhecimento, não seria um bom começo de negociações”, completou.

Segundo Bahreini, “as mensagens entre Irã e Estados Unidos” são constantes, seja de forma direta ou através de mediadores.

“Isso não pode ser considerado negociação, mas as trocas existem”, reforçou.

Por outro lado, o embaixador iraniano afirmou que o acesso à internet será totalmente restabelecido em poucos dias no Irã, após uma interrupção total das telecomunicações no contexto dos protestos registrados no país.

“Esta restrição (da internet) nunca foi planejada para ser permanente ou prolongada, então as restrições estão sendo levantadas gradualmente e a internet será restabelecida completamente muito em breve, em poucos dias”, disse.

“Para controlar a situação e deter a violência, o governo teve que impor algumas limitações na internet porque grupos terroristas estavam recebendo instruções do exterior e usavam plataformas de internet para organizar suas atividades. E foi muito eficaz, porque depois dessas restrições a violência cessou”, acrescentou.

Quando questionado sobre que provas poderia apresentar disso, respondeu dizendo que basta lembrar as incitações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos manifestantes, encorajando-os a continuar seus protestos e prometendo-lhes que a ajuda estava a caminho.

Além disso, desmentiu que o Irã estivesse fazendo mudanças na configuração dos serviços de internet para limitá-los de maneira permanente.

“Não haverá configurações para definir o acesso ou limitá-lo. Não creio que seja tecnicamente possível”, declarou, para depois comentar que a internet é fundamental para o andamento da economia do país.

O acesso à internet foi restabelecido com fortes limitações em algumas zonas do país para os comerciantes, que agora podem se conectar por 20 minutos ao dia e sob vigilância.

*Com EFE

Fonte: Jovem Pan News

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