O ministro do STF deu prazo de cinco dias para que a Polícia Militar detalhe visitas, exames médicos e até leituras do ex-presidente, transferido para o batalhão há menos de duas semanas.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (26/01/2026) que a Polícia Militar do Distrito Federal envie um relatório minucioso sobre a rotina de Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da PM, o núcleo de custódia conhecido como “Papudinha”.
O Que Deve Constar no Relatório
A PM tem até o final desta semana para apresentar datas e horários detalhados de:
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Visitas: Encontros com advogados, familiares e amigos.
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Saúde: Consultas, exames médicos e sessões de fisioterapia.
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Atividades: Exercícios físicos, atividades laborais e registros de leituras (utilizadas para remição de pena).
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Ocorrências: Quaisquer eventos fora da normalidade durante a custódia.
A Vida na “Papudinha”
Bolsonaro foi transferido para a unidade no dia 15 de janeiro de 2026, após sua defesa e familiares criticarem as condições da carceragem na Superintendência da Polícia Federal, onde ele estava desde novembro de 2025.
A nova acomodação é uma Sala de Estado-Maior com privilégios significativos em comparação ao sistema comum:
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Espaço: A sala possui 64,8 m² (cinco vezes maior que a cela anterior na PF), divididos em quarto, sala, cozinha, lavanderia e banheiro com chuveiro quente.
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Benefícios: Moraes autorizou cinco refeições diárias, assistência médica 24h (incluindo fisioterapia noturna) e uma área externa privativa para banho de sol em horário livre.
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Visitas: Foram ampliadas de 2h para 6h semanais, distribuídas em dois dias.
Contexto Jurídico
A prisão de Bolsonaro na Papudinha ainda possui caráter preventivo, decretada em 22 de novembro de 2025 após ele ter violado o monitoramento eletrônico (tornozeleira) e por risco de fuga.
Embora já tenha sido condenado a 27 anos e três meses de prisão pela 1ª Turma do STF em setembro de 2025 (por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa), o processo ainda não transitou em julgado, o que permite que ele permaneça em uma Sala de Estado-Maior em vez de um presídio comum. No mesmo batalhão, também cumprem pena o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques.




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