PF retoma depoimentos sobre compra do Master pelo BRB; veja quem será ouvido

Banco Master

O ministro Dias Toffoli acompanha as oitivas que investigam o uso de empresas de fachada para vender títulos inexistentes e inflar o balanço do extinto Banco Master.

A Polícia Federal (PF) retoma nesta terça-feira (27/01/2026), a partir das 10h, os depoimentos da Operação Compliance Zero. As oitivas ocorrem nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF) e buscam esclarecer a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), negócio reprovado pelo Banco Central (BC) em 2025.

Depoimentos do Dia

Devem ser ouvidos hoje executivos e empresários que tiveram suas oitivas adiadas na última segunda-feira a pedido das defesas:

  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia: Diretor da Tirreno, empresa apontada como de fachada para a venda de títulos podres ou inexistentes ao BRB.

  • Henrique Souza e Silva Peretto: Empresário investigado por participação na triangulação de ativos.

Ontem, a PF ouviu o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o ex-diretor financeiro do Master, Maurício Lowenthal, sobre as negociações que visavam formar um conglomerado estatal com ativos privados de origem duvidosa.

Entenda o Esquema: A “Engrenagem” do Master

As investigações indicam que o Banco Master, sob o comando de Daniel Vorcaro, utilizava uma estrutura fraudulenta para sustentar sua imagem de solidez e atrair investidores via CDBs com taxas acima do mercado.

As irregularidades apontadas incluem:

  1. Ativos Inflados: Balanços turbinados artificialmente através de fundos sem lastro real e carteiras de crédito consignado consideradas frágeis.

  2. Passivos Ocultos: As dívidas reais do banco eram significativamente superiores ao que era reportado aos órgãos de controle.

  3. Venda de Créditos Fictícios: O BRB teria sido o destino de títulos inexistentes operados pela empresa Tirreno, em uma tentativa de injetar capital público no Master antes de sua quebra.

O Colapso do Grupo

O desenlace da crise financeira do grupo de Vorcaro gerou um efeito dominó no sistema bancário:

  • Novembro/2025: Prisão de Daniel Vorcaro e liquidação do Banco Master pelo BC.

  • Janeiro/2026: Liquidação da CBSF (antiga Reag Trust) no dia 15 e do Will Bank na última quarta-feira (21).

O foco da Polícia Federal agora é identificar se houve pagamento de propina a diretores do BRB para que o negócio, claramente desvantajoso para a estatal brasiliense, fosse levado adiante apesar dos alertas de risco.

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