Irã anuncia negociações nucleares com os EUA após alerta de Trump

O presidente Masoud Pezeshkian ordenou negociações 'equitativas' lideradas pelo chanceler Abbas Araghchi, com possível encontro em 6 de fevereiro na Turquia.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, faz uma declaração durante sua visita ao mausoléu do líder do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, morto em um ataque aéreo israelense em setembro de 2024, nos subúrbios ao sul de Beirute em 3 de junho de 2025. (Foto de Anwar AMRO / AFP)

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira (3) que instruiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a iniciar negociações nucleares com os Estados Unidos. A decisão ocorre após o presidente Donald Trump advertir sobre possíveis ‘coisas ruins’ caso um acordo não seja alcançado. Uma fonte árabe, que preferiu não se identificar, informou à AFP que a reunião entre os dois países poderá acontecer em 6 de fevereiro na Turquia, resultado de gestões de Egito, Catar, Turquia e Omã. Pezeshkian expressou no X (antigo Twitter) que as negociações devem ocorrer em um ‘ambiente adequado’, livre de ameaças e expectativas não razoáveis. A pressão sobre Teerã aumentou desde janeiro, após a repressão aos protestos no país. Trump indicou estar aberto a um acordo, mas alertou sobre consequências negativas caso este não se concretize. O site americano Axios e a agência iraniana Tasnim já haviam apontado Araghchi como o possível representante de Teerã nas negociações com Steve Witkoff, enviado de Trump. Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, países da região atuam como mediadores. O Irã nega as acusações de que busca desenvolver armamento atômico. As negociações anteriores fracassaram devido à questão do enriquecimento de urânio, com os EUA exigindo que o Irã renuncie completamente a essa prática. Em 2015, o Irã assinou um acordo que regulamentava suas atividades nucleares, mas este perdeu efeito após a retirada unilateral dos Estados Unidos, ordenada por Trump. Nas ruas de Teerã, um aposentado de 68 anos expressou à AFP a inutilidade das tensões atuais, responsabilizando tanto os EUA quanto a liderança iraniana pela situação. Enquanto isso, a repressão continua na República Islâmica. Fonte: AFP

Comentários