Um inquérito policial militar (IPM) revela que o grupo de policiais liderado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira mantinha contato com Milton Leite (União Brasil), então presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.
Alexandre é apontado como líder de um esquema de segurança para diretores da Transwolff, empresa de ônibus com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação veio à tona na Operação Kratos, deflagrada no dia 4.
A mensagem que indica essa proximidade foi enviada pelo 3º sargento da reserva da PM, Nereu Aparecido Alves. A Corregedoria da PM encontrou a mensagem no celular do empresário Cícero de Oliveira, conhecido como Té, da Transwolff.
Na mensagem, Nereu informa a Té que estava na inauguração de uma escola com o nome da mãe do “chefe Milton”. A Corregedoria identificou que o “chefe Milton” é o ex-vereador Milton Leite, e a escola é o Centro de Educação Infantil Nathalia Pereira da Silva.
Milton Leite nega qualquer envolvimento. Ele afirma que sua segurança sempre foi feita pela Assessoria Militar da Câmara e que não conhece o sargento Nereu. Ele também nega qualquer ligação com o esquema de proteção à empresários ligados ao PCC.
Na casa do sargento Nereu, a Corregedoria apreendeu R$ 1 milhão em dinheiro vivo durante a Operação Kratos. Nereu, o capitão Alexandre e o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário foram presos na operação.
Outros quatro PMs são investigados sob suspeita de envolvimento no esquema. São eles: o tenente-coronel José Henrique Martins Flores, um subtenente, um sargento e um cabo.
O atual presidente da Câmara dos Vereadores, Ricardo Teixeira (União), solicitou à Secretaria da Segurança Pública uma avaliação sobre a reformulação da Assessoria Militar da Casa.
Em 2023, o Ministério Público de São Paulo quebrou o sigilo de dados relacionados ao caso na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
O Estadão busca contato com a defesa dos policiais. O espaço está aberto.



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