O Irã reafirmou neste domingo (8) que não abrirá mão do enriquecimento de urânio, mesmo diante da crescente pressão dos Estados Unidos e da possibilidade de um conflito.
Após uma rodada inicial de negociações em Omã na sexta-feira (6), considerada positiva por ambas as partes, o diálogo continua. Contudo, o Irã insiste em manter suas ‘linhas vermelhas’, limitando as discussões ao seu programa nuclear e defendendo seu direito de desenvolver energia atômica para fins pacíficos.
Os EUA, que reforçaram sua presença militar no Golfo, buscam um acordo mais amplo, incluindo restrições ao programa de mísseis balísticos iranianos e o fim do apoio a grupos armados contrários a Israel.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará a Washington na quarta-feira (11) para pressionar o presidente Donald Trump por uma postura mais rigorosa contra Teerã, defendendo a inclusão desses pontos nas negociações.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reiterou que o país não cederá à exigência americana de abandonar o enriquecimento de urânio, mesmo em caso de guerra. Ele sugeriu que o Irã poderia considerar medidas para aumentar a confiança em relação ao seu programa nuclear em troca do fim das sanções internacionais.
No entanto, Araqchi expressou dúvidas sobre a ‘seriedade’ dos Estados Unidos em conduzir negociações genuínas, afirmando que o Irã avaliará os sinais e decidirá sobre a continuidade do processo. Ele também minimizou o impacto da presença militar americana, afirmando que ‘não nos intimida’.
O enviado dos EUA, Steve Witkoff, visitou o navio Abraham Lincoln, símbolo da força naval americana no Golfo, no sábado (7). Acompanhado pelo Almirante Brad Cooper e Jared Kushner, genro de Donald Trump, Witkoff reforçou a mensagem de ‘paz através da força’ do presidente americano.
Trump intensificou as ameaças de intervenção militar no Irã, inicialmente devido à repressão aos protestos de janeiro e, posteriormente, como forma de pressionar Teerã por um acordo.
Após as conversas de sexta-feira entre Witkoff, Kushner e Araqchi, as primeiras desde os ataques aéreos americanos às instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, o presidente americano descreveu o diálogo como ‘muito bom’ e indicou que as negociações continuariam em breve.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian considerou as negociações um ‘passo à frente’, ressaltando o apoio de governos amigos da região.
Araqchi, em entrevista à Al Jazeera, informou ter concordado com Washington em realizar outra rodada de negociações em breve, mas alertou que ainda há ‘um longo caminho a percorrer para construir confiança’. Ele também reafirmou que a capacidade de mísseis balísticos do Irã é inegociável, pois se trata de uma questão de defesa. Países ocidentais e Israel acusam o Irã de buscar armas nucleares, o que Teerã nega.




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