Parentes de presos políticos fazem greve de fome por anistia na Venezuela
Após adiamento da lei de anistia, familiares intensificam pressão por libertação de detidos em Caracas.
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Familiares de presos políticos na Venezuela iniciaram uma greve de fome em Caracas neste sábado (14), em protesto contra o adiamento da aprovação de uma lei de anistia e para exigir a libertação imediata de seus parentes. O protesto ocorre em frente à Zona 7, um complexo prisional da Polícia Nacional na capital venezuelana.
Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados da Zona 7. No entanto, os familiares exigem que a promessa de anistia total, feita pela presidente interina Delcy Rodríguez em 8 de janeiro, seja cumprida integralmente.
Protesto e Exigências
Cerca de dez mulheres, usando máscaras, deitaram-se em frente à Zona 7, onde familiares mantêm um acampamento há mais de um mês. Elas portavam uma lista com os nomes das grevistas.
Evelin Quiaro, mãe de um preso político, declarou à AFP: “Nós exigimos que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo. Já temos muitíssimo tempo nisso”. Seu filho está detido desde novembro de 2025, acusado de terrorismo, associação criminosa e financiamento ao terrorismo.
Quiaro destacou que o principal objetivo da greve de fome é obter respostas concretas sobre a libertação dos presos. “O significado principal e o único é que finalmente nos deem respostas concretas sobre a libertação de todos os rapazes que estão ali dentro, todos”, explicou.
Contexto Político
A lei de anistia, proposta por Delcy Rodríguez após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, visa abranger os 27 anos do chavismo. A expectativa é que a legislação resulte na libertação de centenas de detidos. No entanto, a discussão final para sua aprovação foi adiada duas vezes.
Segundo a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro, 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão.
Promessas e Adiamentos
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, esteve na Zona 7 em 6 de fevereiro e prometeu reparar os erros cometidos, adiantando que a lei de anistia seria aprovada em 10 de fevereiro. Contudo, a aprovação foi adiada devido a divergências sobre seu alcance e a aplicação pelo Poder Judiciário. A próxima sessão legislativa está programada para a próxima semana.
A greve de fome é a mais recente medida de pressão adotada pelos familiares, que anteriormente já haviam se acorrentado em frente à prisão. “Com isso é óbvio que vamos nos esgotar muito mais (…) mas já é uma medida drástica que consideramos necessária para acabar com tudo isso”, afirmou Quiaro.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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