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INTERNACIONAL

Cidades de Mísseis Iranianas: Fortaleza Subterrânea Desafia Inteligência Ocidental

Complexo militar subterrâneo, escavado em rocha, protege arsenal e desafia armamento convencional.

17/03/2026 às 01:49
3 min de leitura
Colunas de fumaça se elevam do local dos ataques aéreos perto da Torre Azadi, no oeste de Teerã, em 10 de março de 2026. Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando uma rápida retaliação da república islâmica, que respondeu com ataques de mísseis em toda a região. A guerra envolveu potências globais, desestabilizou os setores de energia e transporte do mundo e trouxe o caos até mesmo para áreas geralmente pacíficas da região instável.

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O Irã construiu vastos complexos militares subterrâneos, apelidados de “cidades de mísseis”, escavados em montanhas para abrigar mísseis balísticos, drones e caças. Essas instalações, construídas em calcário e granito, garantem a capacidade de resistir a ataques aéreos e manter a capacidade de retaliação, o que a doutrina militar chama de “profundidade estratégica”.

Ao esconder seu arsenal sob centenas de metros de rocha, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) dificulta o uso de munições convencionais, forçando adversários a recorrerem a armamentos antibunker especializados.

Localização Estratégica

Essas bases funcionam como guarnições autossuficientes e estão localizadas sob as cordilheiras de Zagros e Alborz.

Os túneis internos chegam a ter mais de 15 metros de altura para acomodar Veículos Lançadores Eretores (TELs) de grande porte, que lançam mísseis como o Emad e o Khyber Shekan. Sistemas industriais autônomos mantêm o ambiente interno.

Defesa Natural e Ativa

A rocha natural impede o reconhecimento térmico por satélite e o uso de radares tradicionais, criando um ponto cego para a inteligência ocidental. A proteção primária vem da densidade geológica, que anula o impacto de mísseis de cruzeiro e bombas guiadas a laser.

Em fevereiro de 2023, o exército iraniano revelou a Oghab 44 (Águia 44), a primeira grande base aérea tática subterrânea, localizada sob a província de Hormozgan, próxima ao Estreito de Ormuz. A instalação abriga caças de interceptação e bombardeiros armados com mísseis de cruzeiro de longo alcance, protegendo a frota aérea contra ataques preventivos.

Desafios à Inteligência Militar

Radares de Penetração no Solo (GPR) são ineficazes em grandes profundidades. A DARPA (agência de projetos de pesquisa avançada de defesa dos EUA) está desenvolvendo a “tomografia de múons” (MuS2), que utiliza partículas de raios cósmicos para mapear estruturas dentro do granito.

Sistemas de Lançamento

As bases subterrâneas possuem sistemas de lançamento duplo para garantir a capacidade de disparar mísseis.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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