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INTERNACIONAL

Guerra Irã-Iraque: A raiz das tensões no Golfo Pérsico e a estratégia militar iraniana

Conflito sangrento da década de 80 moldou a tática de 'desgaste' que o Irã utiliza hoje contra potências globais.

23/03/2026 às 01:19
3 min de leitura
Um manifestante segura um cartaz com a imagem do falecido Líder Supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, cercado por bandeiras iranianas, em frente ao consulado dos EUA, durante um protesto contra o conflito no Oriente Médio, na Cidade do México, em 7 de março de 2026. (Foto de Carl de Souza / AFP)

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A guerra entre Irã e Iraque, de 1980 a 1988, um conflito que ceifou a vida de aproximadamente 500 mil pessoas, entre combatentes e civis, é fundamental para entender as atuais tensões no Golfo Pérsico. A forma como o Irã conduziu a guerra, isolado e sob ataques com armas químicas, moldou sua estratégia militar atual.

Em vez de frotas aéreas modernas, o Irã hoje projeta poder através do esgotamento financeiro de seus adversários, utilizando um arsenal rudimentar e táticas de exaustão.

A Invasão e o Impasse Sangrento

Em setembro de 1980, o Iraque, sob o comando de Saddam Hussein, invadiu o Irã, aproveitando-se da instabilidade pós-Revolução Islâmica de 1979. O que se esperava ser uma vitória rápida transformou-se em um longo e sangrento impasse, com as forças iranianas resistindo ao avanço inicial.

Os combates evoluíram para uma guerra de trincheiras, similar à Primeira Guerra Mundial, com intensos duelos de artilharia e o uso de armas químicas pelo Iraque. Diante da impossibilidade de repor suas perdas no mercado bélico global, o Irã adotou manobras extremas.

O Fortalecimento da Guarda Revolucionária

O conflito também alterou a hierarquia de poder no Irã. As forças armadas regulares (Artesh), que dependiam de armamento americano da era do xá, foram enfraquecidas por sanções e expurgos políticos. A falta de peças de reposição forçou os engenheiros militares a improvisar para manter uma frota mínima operante.

Como resposta à vulnerabilidade na guerra convencional, o governo iraniano priorizou investimentos no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Essa organização paramilitar assumiu o protagonismo no campo de batalha, estabelecendo a base da estratégia iraniana até hoje.

A Estratégia de Desgaste e o Arsenal de Mísseis

O trauma da vulnerabilidade aérea na década de 1980 levou o Irã a construir o maior arsenal de mísseis balísticos do Oriente Médio, e mais recentemente, a investir massivamente em veículos aéreos não tripulados (VANTs).

A tática iraniana atual consiste em forçar os Estados Unidos, Israel e as monarquias do Golfo a um cálculo desproporcional. O objetivo não é conquistar território, mas sim esgotar logisticamente o oponente.

Analistas militares apontam que o Irã busca exaurir os estoques de interceptadores sofisticados, testando a resistência financeira e a determinação política das superpotências.

Ceticismo em Relação à ONU

A experiência de lutar isolado reforçou o ceticismo do Irã em relação ao direito internacional e à ONU. Durante a guerra, a comunidade internacional, temendo a expansão da revolução xiita, forneceu informações, capital e armas ao Iraque. O Conselho de Segurança das Nações Unidas demonstrou…

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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