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INTERNACIONAL

COI Retoma Testes de ‘Feminilidade’ para as Olimpíadas de 2028, Gerando Polêmica

Após quase 30 anos, medida impacta atletas transgênero e intersexo, reacendendo debates sobre inclusão e justiça.

27/03/2026 às 23:49
3 min de leitura
Encerramento das Olimpíadas de Tóquio 2020

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O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a retomada dos testes genéticos de ‘feminilidade’ a partir dos Jogos Olímpicos de 2028. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (26), marca uma mudança significativa nas regras de elegibilidade para atletas femininas e já gera controvérsia.

A admissão nas competições femininas será restrita a pessoas do sexo biológico feminino que não possuam o gene SRY, conforme comunicado do COI após reunião do comitê executivo. Essa medida revoga as diretrizes de 2021, que permitiam a cada federação definir suas próprias políticas, e exclui atletas transgênero e grande parte das atletas intersexo.

Impacto e Exceções

Atletas que comprovarem ‘insensibilidade total aos andrógenos’ – a incapacidade do corpo de utilizar a testosterona – poderão ser isentas da nova regra. No entanto, a comprovação exige investigações complexas e custosas.

A nova política, primeira grande medida da presidente do COI, Kirsty Coventry, não será retroativa. A responsabilidade pela realização dos testes recairá sobre as federações internacionais e instituições esportivas nacionais, utilizando amostras de saliva, raspado bucal ou sangue, realizados ‘uma única vez na vida do atleta’.

Repercussão e Críticas

A medida já está em vigor, desde o ano passado, em modalidades como atletismo, boxe e esqui, embora enfrente desafios práticos e legais. O COI já havia implementado testes cromossômicos entre 1968 e 1996, abandonando-os em 1999 sob pressão da comunidade científica e de sua própria comissão de atletas.

Embora potencialmente alinhada com políticas de exclusão de atletas transgênero nos esportes femininos adotadas em outros países, a decisão enfrenta oposição de cientistas, pesquisadores da ONU, especialistas jurídicos e organizações de direitos humanos. Um editorial no British Journal of Sports Medicine criticou a medida como um ‘anacronismo desastroso’, questionando a existência de dados científicos que justifiquem a exclusão de atletas intersexo.

Oito especialistas da ONU expressaram preocupação com a ‘opacidade’ do processo decisório do COI, defendendo que qualquer medida deve ser baseada em ‘evidências sólidas e específicas’.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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