CPMI do INSS: Relatório final sobre fraudes é rejeitado em meio a manobras e acusações
Texto que pedia indiciamento de 'Lulinha' e sugeria crimes de Bolsonaro não obteve aprovação na comissão.
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O relatório final da CPMI que investigou fraudes no INSS foi rejeitado na madrugada deste sábado (28), em meio a manobras governistas e acusações cruzadas. O documento, elaborado pelo relator deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como ‘Lulinha’. A votação terminou com 19 votos contrários e 12 favoráveis.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana, negou-se a discutir um texto alternativo apresentado pelo governo, culminando com a finalização da CPMI sem um relatório final aprovado.
Articulação do Governo
Para impedir a aprovação do relatório de Gaspar, o governo mobilizou aliados. O senador Jaques Wagner (PT-BA) viajou de Salvador para Brasília para participar da votação, e o ministro da Agricultura Carlos Fávaro foi exonerado temporariamente para reassumir sua cadeira no Senado, substituindo sua suplente, Margareth Buzetti, da oposição.
Acusações contra ‘Lulinha’ e Bolsonaro
O relatório rejeitado alegava que o filho do presidente Lula teria ligações com operadores do esquema de fraudes, incluindo viagens internacionais e transações financeiras suspeitas com Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’.
Por outro lado, um relatório paralelo, elaborado pela base governista e apresentado pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), propunha o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como ‘chefe do esquema’ de descontos indevidos. Segundo Pimenta, Bolsonaro deveria responder por furto qualificado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa.
Outras Propostas do Relatório Rejeitado
O relatório de Gaspar também sugeria alterações na legislação, como criminalizar a abordagem abusiva de idosos para oferta de crédito e iniciar automaticamente processos criminais contra fraudadores de vítimas com mais de 60 anos. Além disso, propunha o fortalecimento dos poderes de investigação das CPIs.
O relatório governista ainda indicava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para investigação, acusando-o de envolvimento no esquema.
Paulo Pimenta afirmou que os descontos indevidos no INSS têm ligação com o caso do Banco Master, alegando que parte do dinheiro foi destinada a campanhas de Onyx Lorenzoni, Tarcísio de Freitas e do próprio Bolsonaro, através de depósitos feitos por Fabiano Zettel.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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