EUA podem classificar PCC e CV como terroristas; Brasil teme
Governo brasileiro receia operações dos EUA em território nacional caso facções sejam designadas terroristas.
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O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, sinaliza a possibilidade de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida gera apreensão no Brasil, que teme possíveis intervenções americanas no país.
A discussão ganhou força durante a Cúpula Escudo das Américas, em março, quando Amanda Robertson, porta-voz do Departamento de Estado, declarou à Jovem Pan News que “todas as cartas estão na mesa” ao ser questionada sobre a designação das facções.
Reação do Governo Brasileiro
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, já conversou com seu homólogo americano, Marco Rubio, sobre cooperação judicial e combate ao crime organizado. O Planalto busca estabelecer canais de confiança com a Casa Branca, mas enfrenta resistência devido à proximidade de membros do Departamento de Estado com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo brasileiro se opõe à classificação do PCC e do CV como terroristas, temendo que isso possa justificar operações dos Estados Unidos em solo brasileiro. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Mauro Vieira afirmou que as facções são organizações criminosas focadas em extorsão e ganhos financeiros, diferentemente de grupos terroristas com motivação política.
Análise Jurídica e Política
João Amorim, professor de direito internacional da Unifesp, observa que a postura do governo Trump é compatível com seu histórico de combate ao tráfico de drogas, que já justificou ações militares em outros países. Ele lembra que, no passado, figuras como Nelson Mandela foram erroneamente classificadas como terroristas pelos EUA.
Segundo o The New York Times, pessoas ligadas a Bolsonaro têm trabalhado para convencer o governo Trump de que o PCC e o CV representam uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro teria se reunido com autoridades americanas em 2025 para apresentar um relatório sobre as atividades das facções.
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem intensificado a política de combate ao narcotráfico, autorizando ofensivas contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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