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INTERNACIONAL

Ex-aliado de Orban surge como forte opositor na Hungria

Peter Magyar, ex-integrante do governo, capitaliza escândalos de corrupção e desafia o premiê nacionalista.

12/04/2026 às 10:00
3 min de leitura
Peter Magyar, líder do partido conservador pró-europeu TISZA, conversa com jornalistas do lado de fora de uma seção eleitoral em Budapeste durante as eleições gerais na Hungria, em 12 de abril de 2026. A votação pode encerrar o mandato de 16 anos do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban no poder, como o líder atual há mais tempo no cargo na UE e um autoproclamado "espinho" no lado do bloco.

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Peter Magyar, que outrora aplaudia o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, emergiu como o mais sério rival do líder nacionalista desde 2010. Sua ascensão meteórica ocorre em meio a um escândalo de perdão de abusos contra crianças que abalou o governo.

“Me chamavam de ‘eterno opositor’ dentro do Fidesz (partido de Orban)”, declarou Magyar à AFP, após ganhar destaque em 2024. O conservador de 45 anos, conhecido por sua habilidade de comunicação, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, promete desmontar “tijolo por tijolo” o sistema político de Orban.

Ascensão e Estratégia

Conhecidos descrevem Magyar como um perfeccionista exigente, mas que não hesita em pedir desculpas. Nos últimos dois anos, percorreu a Hungria prometendo combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, impulsionando seu partido nas pesquisas.

Segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, a condição de ex-figura do governo impulsionou sua popularidade. “Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro”, afirmou Sadecki. “De certa forma, Magyar é como Orban há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder”, acrescentou.

Trajetória e Escândalo

Nascido em uma família conservadora, Magyar fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orban, e se casou com Judit Varga, que viria a ser ministra da Justiça. Após servir como diplomata e liderar o órgão estatal de empréstimos para a educação, Magyar e Varga se divorciaram em 2023.

O escândalo de perdão de um caso de abuso infantil, que provocou a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, impulsionou Magyar ao protagonismo. Ele denunciou a corrupção do governo e renunciou a seus cargos públicos.

Reação e Promessas

Apesar de inicialmente negar aspirações políticas, Magyar assumiu o controle do partido TISZA, alcançando o segundo lugar nas eleições europeias de 2024. Enfrentando o que chamou de “tsunami de ódio e mentiras”, Magyar rebateu acusações, incluindo alegações de abuso doméstico.

Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos e impulsionar reformas para desbloquear fundos da UE. No plano internacional, busca transformar a Hungria em um sócio confiável da OTAN e da UE, adotando uma postura crítica em relação à Rússia, em contraste com a proximidade de Orban com Moscou.

Assim como Orban, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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