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INTERNACIONAL

Trump e Xi Se Reúnem na China: Comércio e Irã Pautam Cúpula de Alto Risco

Visita de dois dias, agendada para 14 e 15 de maio, busca estabilizar relações após guerra comercial e conflito no Oriente Médio, com Pequim buscando resultados "realistas e pragmáticos".

09/05/2026 às 13:36
3 min de leitura
O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), e o presidente chinês, Xi Jinping, apertam as mãos após reunião no salão de recepção Naraemaru, dentro de uma base da Força Aérea em Busan, Coreia do Sul, em 30 de outubro de 2025. (Coreia do Sul) EFE/EPA/YONHAP COREIA DO SUL

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem uma aguardada visita à China marcada para os dias 14 e 15 de maio, quando se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping. O encontro, que ocorre após o adiamento de uma cúpula anterior devido à escalada da guerra no Irã, é visto como um momento crucial para as tensas relações bilaterais, com Pequim buscando conquistas concretas em meio a um cenário global volátil.

Analistas apontam que, além das formalidades diplomáticas, a China buscará avanços “pequenos e concretos”, mantendo uma postura “realista e pragmática” diante da conhecida imprevisibilidade da administração Trump. O principal objetivo de Pequim é uma retomada geral das relações, embora admita que tal cenário seja improvável, conforme afirmou Benjamin Ho, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, de Singapura. O foco imediato será a extensão de um acordo de trégua comercial de um ano, firmado em outubro de 2025.

As duas potências estiveram engajadas em uma acirrada guerra comercial no ano passado, com tarifas americanas sobre produtos chineses atingindo picos de 145%. A escalada de retaliações foi contida após Trump e Xi concordarem com a trégua. Especialistas da Economist Intelligence Unit (EIU) indicam que a China espera que Trump cumpra a promessa de entregar resultados concretos, como reduções tarifárias específicas que permitam a Pequim flexibilizar suas próprias tarifas ou restrições à exportação.

A questão do Irã será inevitável na mesa de negociações, apesar da relutância da China em se aprofundar no tema. Washington intensificou a pressão sobre Pequim, visando seus laços econômicos com Teerã. Em abril, Trump alertou que imporia uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso o país fornecesse assistência militar ao Irã, complicando ainda mais a pauta.

Pequim, um parceiro próximo da república islâmica, condenou os bombardeios de EUA e Israel que deflagraram o conflito em 28 de fevereiro, mas também criticou ataques iranianos e apelou pela reabertura do Estreito de Ormuz. Contudo, a China não cederá à pressão para agir contra Irã ou Rússia, países sobre os quais, analistas apontam, tem influência, mas não controle decisivo. Lizzi Lee, do Asia Society Policy Institute, ressalta que o conflito com o Irã adiciona uma camada de complexidade, mas o foco central das negociações permanece o comércio e o investimento.

Uma das principais cartas de negociação da China são suas terras raras, metais essenciais para indústrias que vão de smartphones a veículos elétricos. A dominância chinesa neste setor, desde a extração e processamento até a inovação, é fruto de décadas de investimento estratégico e continua sendo uma ferramenta de peso nas relações internacionais.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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