Rota Cine MS Leva Cinema e Memória à Comunidade Quilombola Tia Eva
Projeto democratiza acesso cultural em Mato Grosso do Sul com exibição inédita de filme e rodas de conversa sobre ancestralidade.
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Campo Grande, MS – A primeira edição do projeto Rota Cine MS Povos Tradicionais transformou o Centro Comunitário da Tia Eva em um palco de cultura e memória. Na quinta-feira, 14 de maio de 2026, após o tradicional terço em celebração a São Benedito, moradores da comunidade quilombola vivenciaram uma sessão de cinema inédita em seu próprio território.
A ação exibiu o curta-metragem sul-mato-grossense “As Marias”, uma obra que narra a vida e o envelhecimento de três irmãs trigêmeas. A iniciativa, que oferece pipoca e refrigerante, é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cidadania e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. O projeto leva produções audiovisuais a comunidades tradicionais do Estado, buscando democratizar o acesso à cultura.
Acesso e Inclusão Cultural
A proposta de levar o cinema diretamente aos territórios nasceu da necessidade de superar barreiras de acesso. Deividson Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, explicou que a ideia inicial de exibições em espaços centrais dificultaria a participação das comunidades.
“A partir de uma provocação feita dentro da própria comunidade, pensamos: por que não fazer o equipamento chegar até as pessoas? Muitas vezes a locomoção é difícil, especialmente para quem vive em áreas mais afastadas. Quando falamos de política pública, é importante que ela vá até a comunidade, e não que a comunidade precise procurar por ela”, afirmou Silva.
A sessão emocionou os moradores, especialmente os idosos, que compartilharam lembranças e experiências sobre cinema e vida comunitária.
Antônio Borges, aposentado de 71 anos conhecido como Seu Borginho, relatou que não visitava um cinema há cerca de dez anos. “Tem gente aqui que pode ter certeza que nunca foi ao cinema. E hoje assistiu um filme, teve a oportunidade de apreciar o cinema, comer uma pipoca. Isso é muito importante. Muitas crianças daqui quase não saem da comunidade. Então trazer o filme até aqui mostra outro lado da cultura, que não pode acabar”, disse Borges.
Irene Borges, moradora da comunidade desde 2002, nunca havia estado em uma sala de cinema. “Se fosse para a gente ir lá assistir, talvez a gente não fosse. Mas aqui, perto da casa da gente, ficou fácil. Nunca fui ao cinema, nunca tinha visto uma tela grande assim, fiquei emocionada”, revelou.
Diálogo sobre Ancestralidade e Envelhecimento
Seguindo a metodologia do Cine Maturidade, projeto da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa que desde 2023 promove o diálogo através do audiovisual, os moradores participaram de uma roda de conversa após a exibição. Larissa Paraguassu, subsecretária da Pessoa Idosa, conduziu o debate sobre o documentário.
Seu Borginho conectou a narrativa do filme às transformações familiares ao longo do tempo. “A formação da família era totalmente diferente do que acontece hoje. Tudo tinha seu tempo. O respeito era muito grande. A palavra das pessoas antigas valia muito. Isso faz a gente pensar sobre ancestralidade e sobre valorizar aquilo que ficou”, refletiu.
Vânia Lúcia Baptista Duarte, historiadora e liderança da comunidade, descendente de Tia Eva, enfatizou a conexão do filme com as memórias afetivas e a realidade quilombola. “Algumas coisas permanecem. Quando toca aquela música sert”, completou Duarte.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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