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POLÍTICA

Eleições 2026: Discurso Radical de Segurança Pública Perde Força, Aponta Pesquisa

Estudo do Instituto Sou da Paz revela que a frase "bandido bom é bandido morto" é aceita por apenas 20% dos brasileiros, desafiando estratégias de pré-candidatos ao Planalto.

27/05/2026 às 14:46
3 min de leitura
Flávio Bolsonaro e Lula

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Uma pesquisa divulgada em 18 de maio pelo Instituto Sou da Paz sinaliza uma complexa mudança na percepção popular sobre segurança pública, com implicações diretas para as pré-campanhas presidenciais de 2026. O levantamento revela que a famosa frase “bandido bom é bandido morto”, que marcou o debate nacional, é endossada por apenas 20% dos entrevistados, desafiando a retórica de pré-candidatos que apostam em discursos mais radicais.

Apesar da baixa aceitação de slogans violentos, a preocupação com a criminalidade persiste e se manifesta de outras formas. Segundo o mesmo estudo, realizado pela Oma Pesquisa entre novembro e dezembro de 2025 com 1.115 entrevistas presenciais de abrangência nacional, 69% dos brasileiros acreditam que “a polícia prende e a Justiça solta”. Além disso, 39% defendem o aumento das penas para crimes, evidenciando um desejo por efetividade e rigor, mas não necessariamente por uma justiça sumária.

Para Flávio Bolsonaro (PL), considerado o principal candidato da oposição, os dados da pesquisa sugerem um dilema estratégico. Após iniciar sua pré-campanha com um perfil mais moderado, buscando distanciar-se da imagem de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador voltou a endurecer o tom contra o crime. Em março deste ano, ele declarou que criminosos “se enfrentarem a polícia, vão ser ‘neutralizados’, sim”. Contudo, o estudo aponta que a estratégia inicial de um “Bolsonaro moderado” – duro contra o crime, mas sem apoiar a violência – seria a mais viável para angariar apoio dos eleitores indecisos.

Do lado governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de demonstrar firmeza no combate ao crime sem endossar a violência ou ser acusado de leniência. O petista precisa deixar claro que seu governo não “passa pano” para criminosos. Em discurso neste mês de maio, Lula enfatizou que “as cidades pertencem ao povo, não ao crime organizado”. Em uma sinalização considerada positiva, o presidente propôs ao homólogo norte-americano Donald Trump, em 7 de maio, a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir o combate ao crime organizado, uma iniciativa que pode ser explorada publicamente pela sua campanha.

“Os dados mostram que as frases de efeito antigamente mais famosas na segurança pública já não ressoam mais na população”, explica Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. Em comunicado, ela reforça que “a sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”. A pesquisa conclui que, para as eleições de 2026, o sucesso na área da segurança pública dependerá de propostas que combinem rigor e eficácia, distanciando-se de slogans vazios e polarizadores.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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