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POLÍTICA

Governo Brasileiro Repudia Flávio Bolsonaro em Audiência nos EUA; Acusa de Vínculos com Caso Master

Senador e pré-candidato à Presidência foi alvo de nota oficial e críticas por sua participação em debate sobre tarifas, sendo acusado de priorizar interesses eleitorais e defender revogação de decretos nacionais.

07/07/2026 às 21:17
3 min de leitura
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O governo brasileiro repudiou veementemente, nesta terça-feira (7), a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência nos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas a produtos nacionais. Em nota oficial, o Executivo acusou o parlamentar de priorizar interesses eleitorais e de fazer declarações controversas, incluindo a defesa da revogação de decretos brasileiros. As críticas também foram ecoadas pelo deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP), que classificou a viagem como “vergonhosa”.

Na dura nota, o governo citou nominalmente o empresário Daniel Vorcaro e o “caso Master”, que classificou como o “maior esquema de corrupção da história do país”. O documento afirmou que, ao mencionar o caso, Flávio Bolsonaro “omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro” e “esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniela Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”. O Executivo também declarou que o senador deveria ter defendido o Brasil contra as alegações infundadas do governo norte-americano de taxar produtos brasileiros, e não “legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do Brasil”, além de defender a revogação de decretos nacionais.

Durante a audiência com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Flávio Bolsonaro defendeu o sistema de pagamentos PIX, destacando que foi lançado durante a gestão de seu pai e que não representa um problema para o sistema financeiro global. O senador solicitou o cancelamento das taxas de 25% que seriam impostas a produtos brasileiros, argumentando pela necessidade de negociação para não prejudicar a população. Ao abordar o cenário eleitoral de 2026, ele ressaltou que as condições podem mudar em 90 dias, o que tornaria difícil reverter tarifas impostas agora. Segundo apuração da Jovem Pan, o parlamentar ainda culpou o Supremo Tribunal Federal e o presidente Lula (PT) pela derrubada de posts em redes sociais americanas.

Mais cedo, o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) já havia criticado a postura do senador, afirmando em publicação na rede social X que Flávio Bolsonaro “não foi defender o Brasil, foi defender seus interesses eleitorais”. Boulos alegou que a comitiva de oposição viajou a Washington com o objetivo de articular o adiamento de tarifas econômicas e restrições ao PIX para o período pós-eleitoral, classificando o episódio como um ato de priorização de interesses pessoais em detrimento dos interesses nacionais no exterior.

A audiência nos EUA, que mobilizou ao menos 40 entidades e empresas brasileiras e estadunidenses para apresentar argumentos, discute a proposta de taxar produtos brasileiros que entram em território americano. Entre as organizações credenciadas para participar estão a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), buscando influenciar a decisão final sobre as tarifas.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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