Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu notas de R$ 1,5 milhão para empresas ligadas a investigado
Documentos, obtidos pela Jovem Pan, revelam faturamento para companhias associadas a Daniel Vorcaro em abril de 2025; senador e pré-candidato à Presidência nega ilegalidade e fala em "covardia".
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O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, emitiu três notas fiscais no valor total de R$ 1,5 milhão para empresas supostamente usadas como fachada por Daniel Vorcaro. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela Jovem Pan, que também teve acesso aos documentos.
As duas primeiras notas fiscais, cada uma no valor de R$ 500 mil, foram emitidas em 7 de abril de 2025. O escritório de Bolsonaro, do qual ele é o único sócio, faturou esses documentos para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Ambas as notas foram canceladas no mesmo dia da emissão.
Dois dias depois, em 9 de abril de 2025, o escritório emitiu uma terceira nota, também no valor de R$ 500 mil. Este documento foi destinado à empresa Contábil Correa e não possui registros de cancelamento.
Ligações entre as empresas e investigação
O contador Rogério Lourenço Novo conecta as duas companhias. Ele figura como único diretor responsável pela Copenhagen e também como único sócio da Contábil Correa. Novo integra o conselho fiscal da empresa de soluções ambientais Ambipar.
As notas canceladas referiam-se a serviços de consultoria jurídica para a Copenhagen. A empresa não possui sede nem site e tem um capital social de apenas R$ 40, segundo dados da Receita Federal. A Copenhagen teria recebido R$ 58 milhões de Daniel Vorcaro. A companhia pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, uma gestora investigada pela Polícia Federal por movimentar e ocultar fundos de Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro se manifesta
Flávio Bolsonaro negou qualquer ilegalidade em um vídeo publicado nas redes sociais na terça-feira, 22 de julho de 2026. Ele afirmou ter recusado trabalhar para a empresa Copenhagen. O senador classificou a divulgação das notas como “covardia”. Bolsonaro também alegou que os documentos seriam privados e que algum órgão governamental os teria vazado. No entanto, as notas são acessíveis publicamente na internet.
Em sua declaração, Bolsonaro disse:
“Sempre que uma pesquisa mostra que eu passei o Lula, vem uma narrativa construída de forma mentirosa e covarde para tentar manchar a minha imagem. Não vão conseguir me parar. Nem com facas, nem com balas e muito menos com mentiras e narrativas.”
A Jovem Pan tenta contato com Flávio Bolsonaro, Rogério Lourenço e as empresas mencionadas. A reportagem será atualizada assim que eles responderem.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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