Uefa, Concacaf e AFC criticam Infantino em carta e pedem apuração independente sobre venda da Copa
Carta conjunta de Uefa, Concacaf e AFC afirma que Infantino trata crise como falha de comunicação e ignora erro na venda da Copa.
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Uefa, Concacaf e AFC reprovaram o pedido de desculpas de Gianni Infantino após a tentativa de criar a Fifa Forward Enterprises (FFE). Em carta conjunta, as três confederações afirmam que o presidente da entidade máxima do futebol não reconhece a gravidade do caso e age como quem “acredita que o futebol lhe deve prestar contas”.
O documento foi divulgado nesta segunda-feira (10) e critica a reunião de emergência realizada pela cúpula da Fifa em Rabat, no Marrocos. Para Uefa, Concacaf e AFC, a convocação de um grupo restrito fora de Zurique “representa uma continuação do próprio padrão de conduta que nos trouxe até este momento”.
Falha de comunicação ou falha de discernimento?
A carta afirma que o pedido de desculpas trata a crise como uma “falha de comunicação”, quando o que o futebol testemunhou foi uma “falha de discernimento”. A proposta da FFE foi apresentada em prazo apertado e sem consulta significativa às federações-membro.
“Não reconheceu que a proposta em si era intrinsecamente errada. Continua a não haver qualquer reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA constituiu um grave erro de avaliação”, diz um trecho da nota.
Entenda o plano que gerou a crise
A Fifa Forward Enterprises (FFE) administraria os direitos comerciais de competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. O plano previu a venda de parte das ações e repasses milionários às federações.
- Empresa: FFE ficaria responsável pelos direitos comerciais de torneios da Fifa, como a Copa do Mundo.
- Participação: 20% das ações seriam vendidas a investidores privados.
- Prazo: federações-membro tiveram 53 dias para decidir sobre a proposta.
- Repasse: cada associação nacional receberia até US$ 40 milhões (cerca de R$ 220 milhões).
Governança e apuração independente
O trio também critica a decisão da Fifa de apresentar um relatório ao próprio Conselho para avaliar falhas na condução do projeto. Para Uefa, Concacaf e AFC, o correto seria contratar uma “terceira entidade totalmente independente” para fazer a apuração.
A nota cobra ainda a preservação de todos os documentos e registos relacionados ao caso, em conformidade com a comunicação da Uefa sobre conservação de documentos. “Não é a conduta de um guardião do futebol, mas sim de alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas”, afirmam os dirigentes.
“Apelamos a que essa unidade seja agora respeitada e a que haja uma liderança que sirva o futebol, em vez de procurar dominá-lo”, acrescenta o texto. A carta evidencia o movimento para lançar uma candidatura contra Infantino na eleição marcada para março de 2027.
Reações divididas entre confederações
O posicionamento contra Infantino não é unânime. Na última quinta-feira, a Conmebol disse que o recuo do presidente é válido, mas que uma eventual saída deve ocorrer “de maneira democrática”. A Confederação de Futebol da Oceania manteve-se neutra.
A Confederação Africana de Futebol (CAF), que tem 54 dos 211 votos na eleição da Fifa, apoia Infantino. O presidente da CAF, Patrice Motsepe, já defendeu o dirigente publicamente durante a Copa do Mundo.
A carta é assinada por Salman bin Ibrahim Al Khalifa (presidente da AFC), Victor Montagliani (presidente da Concacaf), Aleksander Ceferin (presidente da Uefa), Datuk Seri Windsor John (secretário-geral da AFC), Philippe Moggio (secretário-geral da Concacaf) e Theodore Theodoridis (secretário-geral da Uefa).
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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