Batalhão de Choque mata Jean Gabriel, passageiro de app, em Campo Grande
Jean Gabriel Rapini de Souza estava em carro de aplicativo quando morreu após abordagem do Batalhão de Choque em Campo Grande.
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Na noite desta segunda-feira (10), Jean Gabriel Rapini de Souza estava como passageiro de um carro de aplicativo. Equipes do Batalhão de Choque faziam patrulhamento pela Avenida Duque de Caxias quando identificaram o veículo. A Polícia Militar afirma que o comportamento do passageiro despertou suspeita, mas não informou qual atitude motivou a avaliação.
Os policiais acompanharam o automóvel até a Rua Manoel Ferreira, nas proximidades do IFMS. O motorista desembarcou e informou que trabalhava com transporte por aplicativo. Jean Gabriel permaneceu dentro do veículo, mesmo após receber ordem para sair. Após nova determinação, Jean desembarcou de forma repentina. Ele segurava um revólver calibre 32 e efetuou um disparo contra a equipe. Os policiais reagiram e atingiram o passageiro.
Na revista, foram localizados 26 pinos de cocaína. O Batalhão de Choque acionou atendimento médico e Jean foi encaminhado à UPA Vila Almeida. Ele recebeu atendimento, mas teve a morte constatada. A perícia foi chamada para os levantamentos. O revólver foi apreendido, além de outros materiais.
Batalhão de Choque afirma que Jean atirou durante abordagem
A Polícia Civil vai apurar as circunstâncias do caso, inclusive a eventual configuração de tráfico de drogas. A Polícia Judiciária Militar também fará os procedimentos para investigar a intervenção policial com resultado morte.
Jean Gabriel Rapini de Souza já tinha passagem em outro caso de grande repercussão em Campo Grande. Em abril de 2020, com 17 anos, Jean foi apreendido. Ele participou do roubo que terminou com a morte do taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos. A investigação apontou Jean como autor do disparo que atingiu a cabeça do motorista.
Histórico de Jean Gabriel inclui morte de taxista
Luciano desapareceu na noite de 25 de abril de 2020. Ele tinha aceitado uma corrida no Shopping Campo Grande com destino ao Jardim Carioca. O rastreador do Volkswagen Virtus emitiu o último sinal pouco depois da meia-noite. Na manhã seguinte, o carro foi encontrado no Bairro Santa Emília, sem os quatro pneus. O corpo do taxista foi localizado em um matagal às margens da BR-262, na região do Indubrasil.
Imagens obtidas pela investigação mostraram que o Virtus deixou o shopping às 23h40 e chegou ao Jardim Carioca às 23h58. O carro ficou parado por cerca de 40 segundos antes de iniciar a volta. Jean estava no banco traseiro e uma jovem no banco dianteiro. Segundo a Polícia Civil, o adolescente efetuou o disparo após o anúncio do roubo. Uma segunda mulher, que não estava no veículo, também foi responsabilizada por ter conhecimento do plano.
O grupo pretendia ficar com o carro. O veículo seria negociado por R$ 12 mil com uma pessoa que faria a entrega no Paraguai. O automóvel acabou abandonado em Campo Grande. Jean havia deixado uma Unei pouco mais de um mês antes do crime. A arma apontada como usada no latrocínio foi encontrada em uma máquina de lavar. O revólver calibre 38 estava no Bairro Tiradentes, onde viviam os três envolvidos. As duas mulheres foram presas e Jean foi apreendido.
Registros policiais de Jean Gabriel desde 2018
Um levantamento reúne os registros em que Jean aparece como autor ou adolescente infrator. As ocorrências começam em 2018. Veja os principais por ano:
- 2018: recepção.
- 2019: roubo, inclusive com emprego de arma de fogo e concurso de pessoas; associação criminosa; porte e posse irregular de arma de fogo; lesões corporais.
- 2020: diversos roubos, alguns com arma de fogo, concurso de pessoas e restrição da liberdade; associação criminosa; posse ou porte ilegal de arma; ameaça; desacato; vias de fato; violência doméstica; roubo qualificado com resultado morte no caso do taxista Luciano Barbosa Franco.
- 2021: lesão corporal em contexto de violência doméstica e porte de drogas para consumo pessoal.
- 2023: suspeita de furto (não incluída no levantamento como autor).
- 2025: injúria, vias de fato, ameaça, descumprimento de medida protetiva e lesão corporal contra mulher; prisões em flagrante.
O Batalhão de Choque afirma que os policiais reagiram depois que Jean teria efetuado um disparo. As circunstâncias da intervenção serão apuradas pelas autoridades competentes.
A morte de Jean Gabriel Rapini de Souza é a 101ª por intervenção policial em Mato Grosso do Sul. O caso ocorreu neste ano.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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