Polícia Civil de MS proíbe abordagem racial contra indígenas e quilombolas em novo protocolo
Polícia Civil de MS publica portaria com regras para atender indígenas, quilombolas e outros grupos sem discriminação.
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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) publicou a Portaria Normativa nº 280/2026 no Diário Oficial de hoje. A norma cria protocolo específico para atendimento de indígenas, quilombolas e outros grupos étnico-raciais vulnerabilizados. As regras valem para todas as unidades da corporação e para qualquer pessoa atendida como vítima, testemunha ou investigada.
Protocolo da Polícia Civil de MS atende indígenas e quilombolas
Além de indígenas e quilombolas, o protocolo abrange ciganos, povos e comunidades tradicionais, população negra e outros grupos historicamente vulnerabilizados.
- Indígenas
- Quilombolas
- Ciganos
- Povos e comunidades tradicionais
- População negra
A identificação deve considerar, preferencialmente, a autodeclaração. Não é permitido exigir documento, características físicas ou requisitos fora da lei para reconhecer o pertencimento.
Abordagens, depoimentos e operações com novas regras
O atendimento precisa usar linguagem clara, respeitar tradições culturais e considerar dificuldades de comunicação. A pessoa deve relatar os fatos sem interrupções desnecessárias, evitando repetição que cause revitimização.
Ficam proibidos comentários e perguntas com estereótipos raciais ou culturais. O policial não pode minimizar denúncias de discriminação, presumir periculosidade pela origem nem atribuir práticas ilegais a um povo ou comunidade.
- Comentários ou perguntas com estereótipos raciais ou culturais
- Minimizar denúncias de discriminação
- Presumir periculosidade por origem étnica ou cultural
- Atribuir práticas ilegais a um povo ou comunidade
Quando houver dificuldade em português, a polícia pode chamar intérprete, tradutor ou mediador intercultural. Crianças e adolescentes não devem exercer essa função. Familiares ou lideranças podem ajudar apenas com concordância da pessoa e sem conflito de interesses.
A portaria proíbe que raça, cor, etnia, idioma, vestimenta ou pertencimento comunitário justifiquem abordagem, revista, monitoramento ou identificação. Pertença a grupo vulnerável não configura fundada suspeita. A pessoa abordada deve ser informada do motivo sempre que possível.
Em operações dentro de aldeias, quilombos, acampamentos ciganos e territórios ocupados, o planejamento deve considerar as características do local. A meta é reduzir impactos, evitar tensão coletiva e proteger crianças, idosos e vulneráveis. Objetos e locais de valor cultural, religioso ou histórico devem ser preservados.
Dependendo da operação, a polícia pode avisar órgãos públicos ou lideranças locais, desde que não prejudique a investigação, a segurança ou o sigilo.
Registro de ocorrências e fiscalização
No Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional), raça, cor, pertencimento étnico, povo indígena, comunidade quilombola, povo cigano ou comunidade tradicional serão preenchidos conforme autodeclaração. Em denúncias de discriminação, o registro deve incluir elementos objetivos que indiquem motivação racial, mesmo sem menção explícita da vítima.
A polícia deve respeitar a decisão de quem não quiser declarar informação identitária. Casos com indícios de discriminação terão prioridade quando houver risco à vítima, repetição da violência, atuação de grupos, ameaça a lideranças ou risco de desaparecimento de provas.
O Núcleo Institucional de Cidadania da Polícia Civil vai fiscalizar o cumprimento das regras. Ao final do atendimento, o cidadão pode avaliar o serviço por formulário eletrônico, QR Code ou pela plataforma Fala.BR.
O protocolo integra um pacote de normas da PCMS para públicos específicos. No mês passado, a instituição publicou padrão de atendimento para a população LGBT.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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