Quinta-feira, 3 de Setembro de 2026
Menu
POLÍTICA

Vorcaro alega que doação a Bolsonaro e Tarcísio foi propina com Kassab

Em delação, ex-banqueiro afirma que valores foram contrapartida por acordo com Kassab para manutenção de cartão consignado.

03/09/2026 às 17:06
3 min de leitura
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro alega que doação a Bolsonaro e Tarcísio foi propina com Kassab em delação
Fotos: Reprodução, EVARISTO SA/AFP, Pablo Jacob/Governo de São Paulo e Marcelo Camargo/Agência Brasil

Anuncie Aqui

Em proposta de delação premiada obtida pelo UOL, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que a doação de R$ 5 milhões às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022 teria origem em um acerto de propina. Segundo o documento, os recursos foram pagos como contrapartida após um ajuste indevido com Gilberto Kassab (PSD) para garantir a continuidade do cartão consignado Credcesta no governo de São Paulo.

A acusação de Vorcaro

Na delação, Vorcaro detalha que o acordo foi intermediado por Augusto Lima, sócio dele e responsável pela operação do Credcesta no Banco Master. Lima teria se aproximado de Kassab, então aliado da campanha de Tarcísio e posteriormente secretário de Governo, para assegurar a manutenção do produto no estado. O Credcesta era considerado o principal ativo do Master, e sua continuidade dependia de vantagens a políticos e operadores locais.

Detalhes do suposto acordo

Vorcaro afirma que o ajuste previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação em São Paulo e contribuições a campanhas do PSD e partidos ligados a Kassab. As doações eleitorais teriam que ser feitas oficialmente, após interlocutores informarem que partidos parceiros não aceitariam aportes em espécie.

As contrapartidas financeiras

O ex-banqueiro lista as contrapartidas exigidas pela continuidade do programa:

  • Doação oficial de R$ 5 milhões: R$ 2 milhões destinados a Tarcísio e R$ 3 milhões a Bolsonaro, feita por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, a pedido de Augusto Lima.
  • Caixa dois de R$ 10 milhões: valor entregue em espécie a interpostas de Kassab, por meio de Thiago Botelho (apelido Papel), com destino alegado às campanhas do PSD.

Vorcaro afirma que Zettel aceitou doar por afinidade ideológica com os candidatos, mas desconhecia o motivo real do repasse. O aporte oficial e o caixa dois teriam sido efetuados, e o Credcesta permaneceu ativo no governo paulista por mais de um ano.

Negativas dos envolvidos

Tarcísio de Freitas negou qualquer relação com Vorcaro e afirmou que a campanha de 2022 seguiu a lei, com mais de 600 doadores e contas aprovadas. Sobre o Credcesta, disse que o credenciamento da PKL (operadora do cartão) ocorreu em maio de 2022, na gestão anterior, sem contrato ou repasse público. Já Gilberto Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e sem sustentação factual. Ele admitiu conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter tratado de doações ou do Credcesta. A defesa de Augusto Lima não comentou e chamou as informações de “absurdas”.

Situação legal da delação

O trecho da delação permaneceu nas três versões apresentadas às autoridades. No entanto, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) recusaram os acordos por falta de ineditismo e de elementos de corroboração. Na última semana, Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero no STF, e reiterou interesse em colaborar. A PGR voltou a negar, alegando ausência de fatos novos.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias