MS registra 130 mortes em confrontos e fica a um caso de recorde histórico
Com 130 óbitos em intervenções policiais em 2026, Estado se aproxima do pior índice desde 2016, registrado em 2023.
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Mato Grosso do Sul está a apenas duas mortes de igualar o recorde de fatalidades em confrontos com a polícia. Dados da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) apontam que, em 2026, já são 130 mortes por “intervenção legal de agente do Estado”, número que só fica atrás de 2023, quando o total chegou a 131 vítimas.
O levantamento, feito com base nos registros oficiais, mostra que o ano mais violento da série histórica (iniciada em 2016) foi 2023, com 131 mortes. O período com menos registros foi 2020, com 30 óbitos, ano marcado pelas restrições de mobilidade devido à pandemia de covid-19.
Agosto lidera em mortes em 2026
O mês de agosto de 2026 foi o mais letal até agora, com 30 mortes em 31 dias. Os dados da Sejusp incluem todas as fatalidades ocorridas após intervenção policial, enquanto a reportagem do Campo Grande News, que registrou 124 mortes, contabiliza apenas os óbitos no local da ocorrência.
No dia 6 de outubro, Adrian Nunes Lima, 21 anos, conhecido como “Bracinho”, morreu após ser baleado por policiais dentro do cômodo onde morava, na Rua Paranapebas, Jardim Colúmbia, em Campo Grande. Segundo a PM, ele investiu contra os agentes com uma faca e foi alvejado no tórax. Adrian tinha passagens policiais, incluindo furto a um estabelecimento em junho deste ano.
Múltiplos confrontos marcam o ano
Em 31 de agosto, três pessoas morreram durante confronto com a PM em Coxim, a 255 km de Campo Grande. Dois homens e uma mulher estavam em um Chevrolet Monza azul e foram atingidos por disparos na BR-359. A polícia afirma que eles eram suspeitos de tentativa de homicídio contra um rapaz de 33 anos.
Já no dia 12 de agosto, Gyovana Freitas Guarienti, 27 anos, e Jhonatan Mariano Souza dos Santos, 25 anos, morreram após serem baleados por equipes da PM na BR-376, em Ivinhema, a 289 km da capital. O casal desceu de uma motocicleta apontando armas para os policiais, que reagiram.
Família contesta versão policial
Em 12 de agosto, a família de Claudinei Borgert, 39 anos, contestou a versão da PM sobre sua morte em Três Lagoas. Os parentes negam que ele tenha atirado contra os policiais. A corporação afirma que ele reagiu à abordagem e disparou contra equipes da Força Tática e do Getam (Grupo Especializado Tático em Motocicletas).
Policial morto e sequência de confrontos
Após o assassinato do soldado Marcelo Pimenta da Silva, morto por tiro de fuzil em Corumbá em 30 de junho, seis pessoas morreram em confrontos com policiais em apenas cinco dias. Entre os mortos estão Everton da Silva Viana, Rubens Zilo Neto, Luis David Justiniano Flores, Alixberto Vasquez Corrales e Marlon de Souza Silva.
Governo avalia uso de câmeras e combate às facções
O feriado de 7 de setembro, a reportagem questionou a Sejusp sobre o aumento das mortes em confrontos e o uso de câmeras nos uniformes policiais. A pasta ainda não respondeu. Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, o secretário Antônio Carlos Videira destacou o avanço das facções criminosas no estado, impulsionado pela fronteira com Paraguai e Bolívia, e reafirmou o treinamento dos policiais para “repelir injustas agressões”.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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