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Cliente de 63 anos encontra Caixa fechada durante greve em Campo Grande

Idosa vai à agência para recuperar senha de transação e se depara com portas fechadas por greve de bancários.

10/09/2026 às 10:28
3 min de leitura
Cliente de 63 anos chega para recuperar senha e encontra agência da Caixa fechada por greve em Campo Grande
Antonieta precisa recuperar a senha para fazer transações pelo aplicativo da Caixa (Foto: Juliano Almeida)

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Antonieta da Silva, de 63 anos, foi até uma agência da Caixa Econômica Federal em Campo Grande nesta quinta-feira (10) para recuperar a senha de transação e pagar contas pelo aplicativo. Ao chegar, encontrou as portas fechadas. A unidade está entre as 19 da Capital que aderiram à greve dos bancários, iniciada por tempo indeterminado.

Cliente sem cartão e sem senha

Sem cartão, Antonieta não conseguiu resolver o problema por outra via. “Eu perdi a senha de transação. Vim aqui agora porque não está atendendo lá em cima e eu estou sem cartão”, contou. Ela explicou que precisa regularizar o acesso para movimentar a conta pelo aplicativo. No local, descobriu que a atualização depende do atendimento dentro da agência. “Aqui [no caixa eletrônico] ela só faz a senha, mas, para atualizar, tem que ser lá dentro.” Com a paralisação, terá de aguardar a reabertura. “É um transtorno”, resumiu.

Serviços presenciais suspensos

Conforme o secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Rubens Jorge Alencar, a paralisação atinge agências da Caixa na Capital e no interior do Estado. “A Caixa está com 100% das agências fechadas, iniciando hoje essa greve por prazo indeterminado”, afirmou. Com as portas fechadas, serviços que dependem de atendimento presencial ficam suspensos.

Caixas eletrônicos e lotéricas

Os caixas eletrônicos funcionam parcialmente para operações como saque e depósito, mas o dinheiro disponível pode acabar durante a paralisação. Não haverá funcionários para fazer a reposição. Algumas operações podem ser realizadas em casas lotéricas, mas há limitações. De acordo com Alencar, pagamentos dependem do cartão e determinados serviços, como os relacionados a penhor, não estão disponíveis nesses estabelecimentos.

Impacto em beneficiários e clientes

A paralisação afeta principalmente usuários que dependem dos serviços presenciais da Caixa. O banco concentra atendimentos relacionados a benefícios sociais, INSS e outros programas e convênios. “O atendimento ao público fica prejudicado nesse momento, considerando que a agência está totalmente fechada e não tem nenhum atendimento”, afirmou Alencar.

Outro cliente surpreendido foi o jardineiro Gílson Salustiano, de 50 anos. Ele procurou a Caixa para tentar contratar empréstimo e só descobriu a paralisação ao chegar à agência. “Estou precisando e vim aqui. Não sabia dessa greve”, lamentou. Cliente do banco há anos, Gílson pretendia usar o dinheiro para pagar despesas relacionadas à mudança de imóvel. “Era para pagar o aluguel. Estou saindo de um aluguel e vou entrar em outro, então tenho que pagar”, destacou.

Motivos da greve dos bancários

Os empregados da Caixa da base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região decidiram iniciar a paralisação após rejeitarem a proposta apresentada para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Em assembleia virtual realizada nos dias 3 e 4 de setembro, 87,59% dos participantes votaram contra a proposta. O sindicato publicou na terça-feira (8) edital comunicando oficialmente o início da greve nesta quinta-feira.

Entre os principais pontos de impasse estão:

  • Reajuste salarial: trabalhadores reivindicavam reposição da inflação mais 5% de ganho real, enquanto a proposta previa ganho real de 0,6% sobre salários, vales e outras verbas econômicas.
  • Saúde Caixa: condições de custeio para ativos e aposentados, consideradas injustas pelo sindicato.
  • Falta de funcionários: nas agências, sobrecarga de trabalho.

Para a presidente do sindicato, Neide Rodrigues, a rejeição demonstra a insatisfação dos funcionários. “Não aceitaremos perdas no nosso poder de compra nem o desmonte do Saúde Caixa, que encarece de forma injusta o custeio para ativos e aposentados. A greve é um instrumento legítimo de luta e a única alternativa que nos restou para pressionar a direção do banco a reabrir as negociações”, afirmou.

Segundo o sindicato, a proposta foi rejeitada em 128 bases sindicais no País e, em 93 delas, os empregados decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Nesta manhã, a presidente da entidade está em São Paulo para uma nova rodada de negociações.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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