MP aponta R$ 5,5 milhões em saques suspeitos na Santa Casa de Campo Grande
Investigação do MPMS identificou mais de R$ 5,5 milhões em saques fracionados suspeitos de desvios na Santa Casa de Campo Grande.
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A Operação Antidotum, deflagrada na última sexta-feira (11) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), revelou indícios de desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande. As investigações apontam que mais de R$ 5,5 milhões foram sacados de forma fracionada, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Contrato de prontuários e primeiros indícios
As suspeitas começaram com um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para digitalização de prontuários. O acordo, vigente por três anos, previa pagamento anual de R$ 1,8 milhão, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS, apenas no primeiro ano cerca de R$ 1,4 milhão teria sido desviado sem a prestação dos serviços contratados.
Irregularidades na operadora de saúde
Com o avanço da apuração, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) identificou irregularidades também em contratos da operadora Santa Casa Saúde. Empresas de um mesmo grupo econômico, registradas no mesmo endereço (um imóvel desocupado), teriam recebido cerca de R$ 9,6 milhões apenas em 2025. O prejuízo mínimo estimado nessa frente é de R$ 3,5 milhões.
Rastreamento bancário revela saques fracionados
Os investigadores analisaram movimentações financeiras e encontraram transferências entre empresas, repasses a terceiros e retiradas em espécie que somam mais de R$ 5,5 milhões. Um padrão chamou a atenção:
- Saques repetidos de R$ 49.999 – valor que aparece sucessivamente nos documentos, supostamente para evitar o alerta de operações acima de R$ 50 mil.
- Pulverização do dinheiro – a estratégia dificultava o acompanhamento do destino dos recursos, segundo os promotores.
Servidores públicos citados nas transações
Dois funcionários da Prefeitura de Campo Grande aparecem em movimentações que somam aproximadamente R$ 974 mil. Apesar de não terem vínculo formal com as empresas investigadas, as transações foram consideradas incompatíveis com seus rendimentos formais. Nenhum deles foi preso na Operação Antidotum.
O MPMS também aponta que documentos, pagamentos e prestações de contas foram omitidos de órgãos de fiscalização, como o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. O prejuízo total ainda está sendo calculado.
Prisões e reação da defesa
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia. As prisões foram mantidas pela Justiça após audiência de custódia no sábado (12). Entre os alvos estão integrantes da administração da Santa Casa e pessoas ligadas às empresas investigadas. A medida é cautelar e não representa condenação.
A defesa da presidente Alir Terra, representada pelo advogado Murilo Marques, afirmou que ela está indignada com as acusações. Segundo o advogado, Alir não realizava pagamentos nem era ordenadora de despesas na instituição. A defesa prepara pedido de revogação da prisão preventiva.
Operação Antidotum continua
A Santa Casa informou que os atendimentos à população seguem normalmente. O Conselho de Administração manifestou confiança no esclarecimento dos fatos pela Justiça e solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos. A Operação Antidotum segue para identificar a extensão dos desvios, a participação dos investigados e o destino dos recursos.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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