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De catador de latinhas a juiz: magistrado conta trajetória a alunos

Juiz Beladelli inspira alunos de Campo Grande ao contar sua trajetória de catador de latinhas à magistratura e aborda desigualdade de gênero.

25/09/2026 às 18:14
3 min de leitura
Juiz Beladelli conta a estudantes sua trajetória de catador de latinhas à magistratura.
Beladelli falou sobre a desigualdade de gênero no Judiciário e as regras criadas para ampliar a presença feminina nos tribunais. (Foto divulgação)

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Na noite de quinta-feira (24), o juiz Luciano Pedro Beladelli, que atua na comarca de Anastácio, percorreu 130 km até a Escola Estadual Lino Vilachá, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, para participar do projeto Magistratura Vai à Escola. A visita trouxe recordações, pois Beladelli trabalhou como oficial de Justiça na região do Nova Lima por dez anos antes de se tornar magistrado.

Trajetória do juiz Beladelli

Beladelli compartilhou com os alunos sua história pessoal de superação. Na adolescência, trabalhou como frentista e coletava latinhas para ajudar nas despesas da família. Foram dez anos de dedicação aos estudos e 21 concursos públicos até conseguir a aprovação para a magistratura. “Às vezes, olhamos para uma pessoa e pensamos que tudo foi fácil. Mas as coisas não são assim. Vêm de muita luta, estudo e incentivo”, declarou o magistrado, que completa 15 anos na carreira.

Desigualdade de gênero no Judiciário

Um dos alunos questionou a pouca presença feminina entre os desembargadores. Beladelli respondeu que, de fato, a participação de mulheres diminui nos cargos mais altos. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por exemplo, apenas 3 das 35 vagas são ocupadas por desembargadoras. Ele citou a Resolução nº 525/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como uma ferramenta para reverter esse cenário.

A resolução estabelece:

  • Alternância de editais: promoção por merecimento aberta a todos e editais exclusivos para magistradas.
  • Condição de aplicação: quando a participação de mulheres estiver abaixo do patamar definido pelo CNJ.

Mensagem final

Ao encerrar a conversa, Beladelli deixou um conselho aos jovens sobre a importância de respeito, acolhimento e responsabilidade com as outras pessoas. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas no começo não precisam determinar os limites de cada um.

Em agosto, o juiz foi anunciado como um dos cinco finalistas do 6º Prêmio INAC de Integridade pelo projeto “Juventude no Cartório Eleitoral”.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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