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ESTADO

Delegado ‘Careca’ liderava 11 policiais em esquema de revenda de drogas

O delegado Hoffman D'Ávila, conhecido como 'Careca', é apontado como líder de esquema que envolvia 11 policiais na revenda de drogas apreendidas em Campo Grande.

25/09/2026 às 19:46
3 min de leitura
Delegado Hoffman D'Ávila, conhecido como Careca, líder de esquema de revenda de drogas com 11 policiais em Campo Grande
Delegado Hoffman D’ávila, preso nesta quinta-feira (24), durante evento do Ministério da Justiça (Foto: Adepol-MS/Divulgação)

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O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apelidado de “Careca” por traficantes, comandou por sete anos a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) em Campo Grande. Segundo o Gaeco, ele era o chefe de uma engrenagem que desviava drogas apreendidas para recolocá-las no mercado ilegal.

Estrutura do esquema

A investigação aponta que o grupo foi montado em 2021, dois anos após Hoffman assumir a Denar. Ao todo, 12 servidores públicos estavam envolvidos: 9 policiais civis (incluindo o delegado), 2 militares e 1 penal. O Gaeco descreve uma divisão de tarefas clara:

  • Liderança institucional: Hoffman chancelava o esquema, mas não participava diretamente das negociações ou apreensões.
  • Núcleo operacional: Policiais responsáveis por rastrear cargas, fazer apreensões e repassar os entorpecentes a traficantes.
  • Apoio financeiro: Pessoas próximas a Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, que fazia a ponte com os compradores.

Os principais nomes da operação

Entre os investigados está Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba”, demitido da Polícia Civil em setembro após ser preso com R$ 130 mil de origem suspeita. Outros policiais civis citados são Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva. Eles formavam o grupo que executava as apreensões.

Dois PMs também integram o núcleo operacional: Alison Lemes Bezerra (“Daga” ou “Daguinha”) e Thiago Bezerra Laurentino (“Grande” ou “Grandão”). O policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos completa o grupo de servidores.

O elo com o tráfico

Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, é apontado como o intermediário entre os policiais e os traficantes. Ele recebia informações sobre carregamentos, negociava valores e articulava a venda. O Gaeco também identificou um núcleo de apoio financeiro com familiares de LK, como Valdenice da Silva Gois (mãe), Ana Carolina da Silva dos Santos, Jéssica da Silva dos Santos, Lavínia Carvalho da Luz, Rayane Luiz Vieira, Matheus Gabriel Machado Bezerra e Wesley Benite Matos Pereira Duarte.

Outros quatro alvos são citados como participantes da organização: Kayon Lucas Leodoro da Silva, Eberth Batista de Almeida, Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duarte. Kayon era responsável por repassar informações sobre carregamentos de drogas ao grupo.

Operação Infiltrados

As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de descobertas das operações Traquetos e Blindspot. A força-tarefa cumpriu 24 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Hoffman não foi encontrado em casa e se apresentou horas depois na Corregedoria da Polícia Civil.

As defesas dos investigados afirmam que ainda não tiveram acesso integral aos autos, que correm em sigilo, e aguardam esclarecimentos sobre os motivos das prisões. Advogados disseram que as detenções foram recebidas com surpresa.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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