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Delegado Hoffman é investigado por gastar R$ 2 milhões em casa de luxo

Apontado como chefe do núcleo policial de organização criminosa, delegado comprou terreno em dinheiro vivo e construiu imóvel de alto padrão no Alphaville I.

25/09/2026 às 18:11
3 min de leitura
Delegado Hoffman, investigado por desvio de drogas, gastou R$ 2 milhões em casa de luxo no Alphaville I
Delegado Hoffman, preso na Operação Infiltrados na quinta-feira (24) (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

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Apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como chefe do núcleo policial de uma organização criminosa que desviava drogas para venda no mercado ilegal, o delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido adquiriu um tereno de R$ 400 mil em dinheiro vivo e construiu uma casa de R$ 1,6 milhão em condomínio de luxo. Para a investigação, as movimentações são incompatíveis com os rendimentos declarados do servidor.

Investigação aponta gastos incompatíveis com renda

Segundo a apuração do Gaeco, em 2024, Hoffman D’Ávila adquiriu o terreno na Rua Cambacina, no condomínio Alphaville I, com grande parte do pagamento em dinheiro vivo. A compra ocorreu no mesmo período do desvio de drogas em Bela Vista efetuado pelo grupo criminoso. O valor estimado da construção da casa é de R$ 1.649.085. Desse montante, mais de R$ 1,2 milhão foi pago entre março de 2025 e abril de 2026, em pouco mais de um ano. Hoffman esteve na titularidade da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) até fevereiro de 2025, onde, segundo o Gaeco, exercia posição de liderança na organização.

Em sua última declaração de imposto de renda, o delegado informou rendimentos tributáveis de R$ 519.356,56 no ano de 2025, período em que pagou mais de R$ 1 milhão na obra do condomínio de luxo. Em 2023, declarou possuir uma renda de R$ 100 mil, mas apenas em 2025 gastou mais de R$ 190 mil em eletrodomésticos.

Detalhes da obra em condomínio de luxo

Planilhas financeiras encontradas nos aparelhos eletrônicos do delegado revelam o detalhamento dos gastos na construção da casa:

  • Terreno: R$ 400 mil pagos em dinheiro vivo.
  • Construção: R$ 1,6 milhão, sendo R$ 1,2 milhão pagos entre março de 2025 e abril de 2026.
  • Madeiras: R$ 300 mil.
  • Eletrodomésticos de luxo (Elettromec): R$ 190 mil.
  • Sistemas de automação: R$ 170 mil.
  • Elevador: R$ 89 mil.
  • Sistema de ar condicionado: R$ 81 mil.
  • Churrasqueira: R$ 21,5 mil.

Empréstimo suspeito para justificar patrimônio

Para justificar parte do acréscimo patrimonial, Hoffman informou ter contraído um empréstimo de R$ 750 mil junto à empresa W Martins Representações e Comércio de Artigos de Mercearia LTDA. O Gaeco aponta indícios de que a transação foi uma manobra para “mascarar o ingresso do dinheiro ilegal e compatibilizar com a situação fiscal (lavagem de dinheiro)”. A empresa não atua no ramo de empréstimos, possui capital social de apenas R$ 20 mil e foi considerada “inapta” em maio de 2026 por omissão de declarações. Não há registro de entrada do dinheiro nas contas do delegado nem pagamentos de amortização da dívida.

O esquema de lavagem envolvia também o policial civil subordinado Douglas Tobias, sócio da empresa Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis. Em 2025, Hoffman efetuou três transferências via Pix no valor total de R$ 75 mil para a empresa. A investigação identificou 151 depósitos em dinheiro sem origem comprovada na conta de Douglas, totalizando R$ 337.485, e outros 53 depósitos na conta da Ateliê Raro, somando R$ 151.643, entre 2021 e 2026. Além disso, o delegado adquiriu dois veículos novos em 2025: um Honda HR-V e uma Toyota Hilux, que, juntos, ultrapassam os R$ 400 mil.

Operação Infiltrados e afastamento

A ação cumpriu 64 ordens judiciais, sendo 24 de prisão preventiva, duas de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram no final de 2025 após suspeitas de que parte expressiva das cargas de entorpecentes interceptadas em operações “desaparecia” dos depósitos ou era substituída antes da incineração oficial. Durante as buscas, o delegado não foi encontrado, mas se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil na quinta-feira (24) e deve passar por audiência de custódia no sábado (26).

A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que todos os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, que podem culminar na demissão, independentemente do andamento das ações penais. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul oficializou o afastamento compulsório do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e de sete investigadores presos preventivamente, com efeito retroativo à quinta-feira (24).

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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